Por que o deputado Gil Diniz é um elo importante com a família Bolsonaro

Conhecido pela alcunha de Carteiro Reaça, o deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) foi citado como uma peça importante na propagação de fake news em depoimentos prestados à CPMI que investiga a divulgação de notícias falsas — na manhã desta quarta, 27, no entanto, ele não foi alvo de busca e apreensão por parte da Polícia Federal. Dentro da Assembleia Legislativa de São Paulo, apenas o deputado Douglas Garcia recebeu “visita” em seu gabinete.

Gil Diniz é um elo importante de ligação com a família Bolsonaro, com quem ele tem laços estreitos de amizade e devoção. Até sua eleição, Diniz atuava justamente como ativista e articulador de redes sociais do clã. Na campanha presidencial, Diniz rodou o interior de São Paulo ao lado de Eduardo Bolsonaro. Os dois dividiram quarto em pousadas e lideraram carreatas em dezenas de cidade. Diniz chama Eduardo de “irmão” e, antes de se eleger, trabalhou como assessor de Zero Três. Uma de suas atribuições nesse período era descobrir perfis simpatizantes, fazer contato com seus criadores e trocar notícias para serem divulgadas.

Diniz e Eduardo são melhores amigos, além do deputado ser uma das poucas pessoas em quem Carlos Bolsonaro confia. O ex-carteiro morador de uma favela da Zona Leste de São Paulo conheceu os irmãos em 2014, durante a campanha eleitoral, quando viu ambos entregando panfletos em um semáforo da cidade. Diniz se apresentou, contou ter uma página no Facebook e mostrou ser um fiel apoiador de Jair Bolsonaro. Eduardo, então, ligou na hora para seu pai e passou o celular para o carteiro. Nascia, ali, um laço de amizade e apoio. Diniz faz parte do chamado bolsonarismo ideológico, sendo admirador de Olavo de Carvalho.

Diniz foi acusado por um ex-assessor de adotar a prática de rachadinha em seu gabinete. No mês passado, descobriu-se que um site criado para defender o impeachment do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tem como proprietária a esposa de um assessor parlamentar do deputado estadual. O portal Placar Fora Doria, que faz campanha pelo afastamento do tucano, foi criado no dia 24 de abril deste ano. O site reúne uma lista de supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo governador, como a compra, sem licitação, de radares móveis para o estado, e traz informações sobre o posicionamento dos deputados estaduais em relação ao pedido de impeachment protocolado no dia 22 de abril pelos parlamentares Gil Diniz (PSL), Douglas Garcia (PSL), Major Mecca (PSL), Frederico D’Avila (PSL), Valeria Bolsonaro (PSL), Tenente Coimbra (PSL), Edna Macedo (Republicanos), Tenente Nascimento (PSL) e Letícia Aguiar (PSL).

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Bonner tem privacidade violada; Globo condena “campanha de intimidação”

Após o CPF de seu filho ter sido usado para fraudar o auxílio emergencial da Caixa, agora um novo problema. O jornalista William Bonner e uma de suas filhas receberam em seus celulares mensagens de WhatsApp contendo informações fiscais sigilosas de familiares. Quem enviou tem número com prefixo 61, de Brasília. O remetente mandou dados como endereços, telefones e CPFs de filhos, mulher e pais de William Bonner. O jornalista já informou a polícia sobre esse novo episódio de violação de privacidade e intimidação.

O episódio ocorreu um dia após o Grupo Globo declarar que não irá mais cobrir as saídas do presidente Jair Bolsonaro na porta do Palácio do Planalto por não haver segurança à equipe. Os veículos Folha, Band, UOL e Metrópoles também tomaram a decisão de não mais participar das coletivas informais do presidente. O argumento é o mesmo: apoiadores hostilizam e atacam a imprensa — e não há quem garanta a proteção de jornalistas.

Como a pandemia afeta crianças e adolescentes, a delação que ameaça Witzel e mais. Leia na edição da semanaReprodução/VEJA

Em nota, a Rede Globo se manifestou sobre a campanha intimidatória contra o maior jornalista da emissora:

“A Globo repudia a campanha de intimidação que vem sofrendo o jornalista William Bonner e se solidariza com ele de forma irrestrita. Há dias, um fraudador usou de forma indevida o CPF do filho do jornalista para inscrever o jovem no programa de ajuda emergencial do governo para os mais vulneráveis da pandemia, para isso se aproveitando de falhas no sistema, que não checa na Receita Federal se pessoas sem renda são dependentes de alguém com renda, fato denunciado publicamente pelo próprio jornalista que apresentou notícia crime junto ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

Agora, tanto o jornalista quando a sua filha receberam por WhatsApp em seus telefones pessoais mensagem vinda de um número de Brasília com uma lista de endereços relacionados a ele e os números de CPFs dele, de sua mulher, seus filhos, pai, mãe e irmãos, o que abre a porta para toda sorte de fraudes. A Globo o apoiará para que os autores dessa divulgação de seus dados fiscais, protegidos pela Constituição, sejam encontrados e punidos. William Bonner é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e nenhuma campanha de intimidação o impedirá de continuar a fazer o seu trabalho correto e isento. Ele conta com o apoio integral da Globo e de seus colegas e está amparado pela Constituição e leis desse país.”

O esquema de guerra da Globo para retomar as gravações de novelas

O martelo não foi batido sobre a data exata, mas a Rede Globo trabalha e deseja retomar as gravações de suas novelas no dia 13 de julho. Há um grande exercício entre direção, produção e autores para estabelecer novos protocolos sanitários, mantendo a linha de produção e preservando a saúde da equipe. Algumas normas já foram estabelecidas do que será o novo normal. Evitar ao máximo o uso de figurantes, por exemplo. Quase tudo deverá ser gravado dentro do Projac, não em locações externas para não precisar fazer deslocamentos.

Estuda-se pedir aos atores que levem a própria maquiagem de suas casas e será restrito o número de pessoas dentro do estúdio de gravação. Ainda não se sabe se todas as novelas voltarão a gravar de uma vez só. A primeira a retomar será Amor de Mãe. O esperado é que seja de forma escalonada, colocando em prática o protocolo e fazendo eventuais ajustes caso necessário. O ponto mais crucial se dá sobre o contato físico entre os personagens. Beijo e abraço são fundamentais em uma teledramaturgia, e eles devem ser mantidos. Mas agora de forma mais comedida. Os autores estão quebrando a cabeça para reescrever cenas com o menor contato físico possível, sem prejudicar o andamento da trama.

Como a pandemia afeta crianças e adolescentes, a delação que ameaça Witzel e mais. Leia na edição da semanaReprodução/VEJA

Fornecedores serão avisados nas próximas semanas sobre as novas regras sanitárias. “Nossos criadores foram convocados a repensar a forma de escrever e de realizar para lidar com diferentes limitações, que vão impactar tanto a narrativa quanto os recursos de produção. As recomendações de cuidados valem para todas as etapas de produção, da pré-produção à atuação nos sets de gravação, incluindo logísticas de transporte, alimentação e regras para fornecedores, entre outras”, escreveu a Globo em comunicado.

Procurado por VEJA, a equipe de comunicação da Globo enviou a seguinte resposta:

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O nosso planejamento conta com vários cenários possíveis para o retorno das gravações de dramaturgia. E o mês de julho está entre essas possibilidades. Sobre o protocolo de segurança: mesmo sem uma data definida ainda para o reinício das gravações, a Globo se adiantou e desenhou um Protocolo de Segurança para a retomada das atividades nos Estúdios Globo. Ele foi criado através da avaliação de protocolos globais, reunindo as nossas práticas às da indústria do audiovisual de vários países.

Nossos criadores foram convocados a repensar a forma de escrever e de realizar para lidar com diferentes limitações, que vão impactar tanto a narrativa quanto os recursos de produção. As recomendações de cuidados valem para todas as etapas de produção, da pré-produção à atuação nos sets de gravação, incluindo logísticas de transporte, alimentação e regras para fornecedores, entre outras. Depois de conhecer as práticas adotadas no protocolo desenhado pela Globo, autores e diretores vão se reunir para avaliar a melhor solução para cada obra. As novas orientações também estão sendo apresentadas ao elenco.

Filho de governador do Rio, Erick Witzel ataca Carla Zambelli

Poucas horas após seu pai ser alvo de uma operação da Polícia Federal no Palácio Laranjeiras em investigação por fraude e desvio, o primeiro-filho Erick Witzel se manifestou por sua conta no Instagram de duas formas. Postou vídeos da ex-presidente Dilma Rousseff sendo cordial com a imprensa e escreveu: “enquanto os jornalistas são esculachados atualmente”, em alusão aos impropérios e grosserias desferidos a jornalistas por apoiadores do governo de Jair Bolsonaro.

Depois, Erick repostou um post do deputado federal Alessandro Molon: “Ontem, à Rádio Gaúcha, Carla Zambelli anunciou que haveria operações da PF contra governadores. Hoje, a polícia está na casa de Witzel. Como uma deputada tem essas informações? Isso é mais uma prova da interferência. Era para isso que Bolsonaro queria trocar Valeixo?” Procurada por VEJA, a depurada Carla Zambelli não respondeu ao pedido de resposta.

Como a pandemia afeta crianças e adolescentes, a delação que ameaça Witzel e mais. Leia na edição da semanaReprodução/VEJA

Erick Witzel é formado em direito e trabalhou por anos como chef de cozinha, tendo como foco a difusão da colunária vegana. Ele atua desde 2019 na Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da prefeitura do Rio de Janeiro. Em julho de 2019, Erick deu entrevista a VEJA falando sobre sobre como ser um homem trans e de sua relação com o pai: “Desde a adolescência eu me enxergava como pessoa LGBT, porém foi aos 18 anos que dei início à minha transição de gênero. Foi uma caminhada intensa. Tratei dessa questão só com minha mãe, que sempre me apoiou, e com pouquíssimas pessoas. Era quase um segredo. Saí da casa da minha mãe, por muitos fatores, aos 19 anos, para continuar a trajetória de mudanças. Meu pai percebeu que algo acontecia, claro, afinal as transformações físicas ficavam mais aparentes a cada dia. Lembro que um dia ele indagou se era isso mesmo, se eu era uma pessoa trans. Não nesses termos. Dentro do que ele conhecia à época, no entanto, foi o que quis dizer.”

“Meu pai e a esposa me perguntaram como deveriam me chamar. Respondi: Erick. E assim fui chamado desde então. Eles contaram aos meus irmãos e houve a preocupação de recomendar que me tratassem pelo meu novo nome, de adaptá-los às mudanças. Nesse período nos víamos pouco e já não morávamos juntos havia anos.”