O que a saída de Renato Aragão representa para a Globo

Fim de uma era. Existia a máxima dentro da Globo que, mesmo com a política de reduzir ao máximo o elenco fixo, alguns nomes da casa eram “intocáveis”. Essa percepção acabou nesta terça, 30, com a não renovação do contrato de Renato Aragão, como revelou o colunista Maurício Stycer, do UOL. Aragão foi uma das mais importantes estrelas do canal por 44 anos. Sua dispensa é um sinal claro: ninguém está imune aos cortes. O significado da saída de Aragão não tem precedentes e vai muito além do ocorrido com Vera Fischer, Miguel Falabella e Zeca Camargo.

Poucos artistas deram tanto lucro e prestígio à família Marinho. Se Aragão foi cortado, por que outros não podem ser? À frente do humorístico Os Trapalhões com o personagem Didi Mocó, o artista estreou na Globo em 1977. Para além de programas na TV, Os Trapalhões representam até hoje alguns dos maiores sucessos de bilheteria da Globo Filmes.

Alguns longas da trupe constam no olimpo das maiores bilheterias do cinema nacional, com mais de 5 milhões de ingressos vendidos cada — caso de Os Saltimbancos Trapalhões, O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, Os Trapalhões nas Guerras dos Planetas, Os Trapalhões na Serra Pelada e O Cinderelo Trapalhão. 

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Renato Aragão foi por muitos anos o rosto da maior ação filantrópica da Globo, o Criança Esperança. O rosto do humorista era parte do marketing positivo do canal. “Cortar o Renato Aragão representa cortar da carne: a Globo sinaliza não ter tolerância com gastos não essenciais”, diz um diretor.

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Dentro do grupo dos intocáveis que nesta semana acaba de ruir constavam atores e vozes cujos rostos e vozes são parte do patrimônio da Globo, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Antonio Fagundes, Gloria Pires, Tony Ramos, Susana Vieira, Lilia Cabral, Vera Holtz e Natália do Vale. Quem não estiver no ar pode ter seu contrato mudado de longo prazo para “por obra”, não importante o passado e glória no canal.

Aos 85 anos, Renato Aragão vai se dedicar às suas redes sociais, sobretudo aos hilários vídeos que tem postado no Tiktok.

Pandemia vip: a fila de Porsches em restaurante badalado em São Paulo

No fim de semana, o badalado chef e empresário Rodolfo de Santis postou em suas redes sociais que iria abrir três novos negócios. Foi massacrado e acusado de insensibilidade pelo fato de a economia como um todo, e em especial o setor de gastronomia, estar passando por um colapso sem precedentes causado pela pandemia. Além disso, muitas pessoas denunciaram que o Nico Cucina, um dos restaurantes italianos mais estrelados de São Paulo e carro-chefe de seu grupo, estaria operando às escondidas. Ele nega. O Nino Cucina é frequentado pela alta sociedade e celebridades, de Lala Rudge a Luciana Gimenez. A fila de espera por uma mesa chegava a durar três horas no mundo pré-coronavírus. Na entrevista a seguir, o chef diz que tudo não passou de um tremendo mal-entendido:

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

O senhor tem aberto durante a pandemia? Somos uma empresa grande e sólida, com 330 funcionários. Não demiti nenhuma pessoa sequer, seja da cozinha ou da faxina. Na verdade, o Nino tem trabalhado com o esquema de delivery e retirada. Graças a Deus, o negócio está indo muito bem e tem me deixado feliz. Tenho muitos clientes que têm Porsches, Ferraris… Só no domingo (dia 28), havia três Porsches na porta do Nino. Muitos clientes têm esses carros, o que chama a atenção. Eles abraçam nosso gerente, conversam na calçada ou dentro do carro enquanto aguardam a comida ficar pronta. Por ter gente na porta, pensam que estamos abertos.

Há quem diga que o senhor serviu bebidas e petiscos enquanto as pessoas aguardam. Não é verdade. O nosso delivery supre 20% do faturamento da empresa. Antes da pandemia, nossa receita era de 1,5 milhão de reais por mês. Acho injusto esses comentários. Vamos contratar pessoas com as novas casas, que serão abertas quando for permitido, daí vem essa maldade de me atacar. Se causo inveja em pessoas do mercado, a minha resposta será trabalhar.

Cauã Reymond em prol de arrecadar 100 000 reais para a Casa 1

Solidariedade e ativismo no mês do orgulho LGBTQIA+. Juliano Corbetta, ativista e publicitário que chacoalha o mercado de moda com a Madre in Brasil e Samba, criou o projeto Prints For Pride com imagens deslumbrantes do acervo de suas publicações para vender impressões em papel e em peças de roupa como blusas e camisetas. “100% do valor arrecadado será doado para a Casa 1”, diz ele. A entidade abriga população expulsa de casa — além de dar comida, estudo e capacitação profissional para população gay e trans. “Se conseguirmos bater minha meta de 100 000 reais em vendas, o valor adicional será repassado a mais organizações LGBTQIA+ no Brasil.”

Cauã para a Made in Brasil: foto do ator faz parte do projeto Prints for Pride, em prol da Casa 1Doug Inglish/VEJA

Há fotos estonteantes de Cauã Reymond, Jhona Burjack, Pietro Baltazar e Mateus Carrilho. As vendas vão até o começo de julho e são enviadas para todo no Brasil.

O diretor que perdeu o emprego na Band por exagerar no bolsonarismo

Não foi a única confusão na carreira de Vildomar Batista a saída tumultuada da Band, onde era diretor do matinal Aqui na Band. O diretor de TV saiu brigado com a Record, emissora por onde esteve por mais de dez anos e desfrutou de muito poder, tendo comandado o Hoje em Dia e o Programa do Gugu. Em 2016, ao deixar a emissora de Edir Macedo, Vildomar entrou com uma ação trabalhista no 62ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ele pedia 300.000 reais argumentando trabalhos sobrepostos, entre outras razões.

A Record, por sua vez, alegou litigância de má-fé pelo fato de Vildomar ter solicitado os benefícios da justiça gratuita. Em agosto de 2019, as duas partes chegaram a um acordo sem valor envolvido. O processo ao qual VEJA teve acesso mostra que a remuneração mensal de Vildomar na Record era de 70.000 reais fixos, além de prêmio pelo aumento da audiência dos programas que dirigia e bônus pelas ações de merchandising. Nas notas anexadas ao processo, consta que o diretor recebeu 112.150,52 reais em julho de 2014 e 90.000 reais em agosto do mesmo ano.

Na Band, Vildomar Batista perdeu apoio e prestígio por levar ao ar pautas alinhadas ao ideólogo de bolsonaristas. Nesta semana, antes de perder a direção do programa, ele escalou o blogueiro Allan dos Santos, investigado por propagar fake news, para defender seu ponto de vista. Em outra ocasião, discutiu-se no ar “Quem mandou matar Bolsonaro?”. Apresentado por Luís Ernesto Lacombe, também afastado e de saída do canal, o Aqui na Band repercutia no Twitter — mas dava quase nada de audiência. Em alguns casos, menos de 1 ponto.

Pelas redes sociais, Vildomar Batista se manifestou sobre o fim do projeto Aqui na Band: “O Aqui na Band foi como um filho: desejado, esperado, amado. Sonhei anos com este projeto e pensei em cada detalhe: o nome, as redes sociais, o formato, conteúdo, pacote gráfico, trilhas, cenários, equipe. Agora faz parte do passado, mas como um filho que se ‘perde’ ou que ‘morre’, nunca poderá ser esquecido”.

João Paulo Gadêlha: o bombeiro que virou influenciador antibolsonaro

Ex-tenente do Exército e atual bombeiro militar de Salvador, João Paulo Gadêlha virou a principal estrela do reality show The Circle, da Netflix. Mas não são apenas seus olhos azuis e músculos que chamam atenção. Jotapê, como é conhecido, tem feito duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro, que julga raivoso com as instituições democráticas e performático nas redes sociais. Se ele tem apoio dos colegas? “Sim, há um respeito às ideias diferentes. Meus companheiros não são machistas e homofóbicos”, diz. Gadêlha tem 31 anos de idade, quase 1 milhão de seguidores no Instagram e nenhuma namorada. Ele ganha mais dinheiro hoje trabalhando como modelo do que no quartel, mas não cogita largar a carreira militar. “Ser bombeiro é uma honra e um orgulho na minha vida.”

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

Filha de mecânico e costureira, a violonista Gabriele Leite ganha bolsa

Nem tudo é má notícia durante a quarentena. Foi neste período de pandemia que a violonista Gabriele Leite recebeu a carta de aprovação de uma bolsa de mestrado integral na Manhattan School of Music, em Nova York, uma das mais prestigiadas do mundo das artes. “Fiquei atônita com a notícia”, diz. Se tivesse de pagar pelo curso de dois anos, precisaria desembolsar 160 000 dólares. Aos 22 anos, Gabriela toca violão desde os 7 — sempre como bolsista de projetos sociais e conservatórios. De 2016 pra cá, ela frequenta o Cultura Artística, de São Paulo, sem desembolsar nem um tostão. “Sou filha de um mecânico industrial com uma costureira, precisei de muita ajuda. Sempre persisti e me dediquei.” Gabriele inicia sua jornada nos Estados Unidos no dia 9 de setembro.

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

A revolta contra Edir Macedo na África

Internamente, Edir Macedo chamou de “golpe”, mas pode se dizer também que foi o maior revés da história da Igreja Universal em seu projeto de expansão mundial. Religiosos que trabalhavam para a entidade em Angola organizaram uma revolta contra Honorilton Gonçalves, diretor das igrejas de Macedo na África. Ao todo, 320 pastores locais tomaram a administração de 110 igrejas no país (50% do total). Evasão de divisas, racismo e a obrigação de fazer vasectomia são parte da relação de denúncias feitas pelos insurgentes. VEJA entrevistou Dinis Bundo, obreiro da entidade há dezoito anos e porta-voz do levante.

Por que a decisão de romper com a direção da Universal? São muitas razões, que vão desde recebermos metade do salário pago aos religiosos nascidos no Brasil até não ter acesso às casas dos condomínios da igreja. Mas há coisas mais graves. O Honorilton Gonçalves exige a castração de pastores, a vasectomia como forma de todos viverem exclusivamente para a Universal. Para ele, tem de aguentar tudo calado.

Como assim? O Honorilton é um psicopata, não aceita diálogo. Ele tentou aqui em Angola fazer o mesmo script de Moçambique: escorraçar pastores que mostraram posição contrária a ele. Ele mandou arrombar a casa do bispo Bezerra Valente Luiz, que era o número 2 da Universal em Angola e agora lidera o movimento. Desde que iniciamos as reivindicações no ano passado, o Honorilton passou a vender casas, condomínios e terrenos da Universal. Por que acabar com o patrimônio da igreja? Há também o problema da evasão de divisas. Só no ano passado, foram enviados ao Brasil 100 milhões de dólares sem declaração alguma ou registro.

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

A Universal de Angola arrecada tudo isso? Arrecada mais. Tem pastores que compram casas, condomínios, carros… Ou seja, essa quantia poderia ser maior e nem tudo vai para o Brasil. Hoje, estamos com o controle de metade das 220 igrejas de Angola. No país, há meio milhão de fiéis. Mais pastores devem vir para o nosso lado.

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O Edir Macedo sabe de tudo? Claro. O Edir disse ao Honorilton para não ceder à pressão e que o povo angolano é corrupto. Eles chegam aqui, são racistas e desfazem da gente — e ainda temos de escutar esse tipo de coisa. As intenções obscuras vão muito além da realidade da fé.

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

Alarme falso: Camila Pitanga segue na Globo

Em meio ao processo em curso de enxugar o seu elenco fixo, a Rede Globo desligou estrelas como Miguel Falabella e Zeca Camargo nas últimas semanas. Pareceu, então, plausível quando circulou pelo Projac o boato de que Camila Pitanga não teria seu contrato renovado. Foi um alarme falso. Um dos rostos mais belos e conhecidos da TV, ela segue no time da emissora e está escalada para a segunda temporada de Aruanas, seriado cujas gravações devem ocorrer no segundo semestre. Carioca do Jardim Botânico, Camila cumpre a quarentena em São Paulo, cidade para onde se mudou em janeiro, ao lado da filha, Antonia, e da namorada, a artesã Beatriz Coelho.

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

Aqui na Band: caos e tensão nos bastidores do programa pró-Bolsonaro

Clima tenso nos bastidores da Band. Após saber pela imprensa sobre a contratação de Mariana Godoy para apresentar o matinal Aqui na Band, o diretor da atração pediu demissão por ter se sentido desrespeitado. Vildomar Batista avisou na quarta, 24, estar de saída. Ele comunicou sua decisão a Antonio Zimmerle, diretor de programação do canal da família Saad.

A saída abrupta de Vildomar Batista tumultua ainda mais o Aqui na Band. Na batalha por audiência e para sair do traço, a atração desligou em abril a jornalista Silvia Poppovic e tem veiculado conteúdo em defesa de pautas ligadas ao governo federal, tendo o apresentador Luís Ernesto Lacombe como um grande defensor do bolsonarismo. Embora repercuta no Twitter em função das posições políticas, o programa de TV muitas vezes perde para a RedeTV! e TV Cultura.

É dado como certo que a consultora de moda Nathália Batista, mulher de Vildomar, deixe de apresentar a atração. Nesta quinta, a Band está reprisando um programa veiculado há poucas semanas. Não há previsão de quando o Aqui na Band, que vai ao ar entre 9h e 11h da manhã, volte a ser inédito e ao vivo.

Em tempo: após a publicação desta nota, VEJA apurou que os nomes de Zeca Camargo e Dony de Nuccio estão cotados para ficar no lugar de Lacombe na atração matinal que deve surgir no futuro próximo. Sem deixar saudades, o programa Aqui na Band deve deixar de existir. Além de ser um projeto do ex-diretor, Vildomar Batista há muito tempo desagradava a cúpula do jornalismo da casa por veicular pautas absurdas como “Quem mandou matar Bolsonaro?”

O “novo normal” de Sara Winter pós-prisão: circulação e comunicação

A defesa da extremista Sara Winter foi informada que, com a revogação de prisão temporária, ela terá restrição de circulação e comunicação. O ministro Alexandre Moraes exigiu que ela use tornozeleira eletrônica, não possa deixar a sua residência com exceção de serviços essenciais, como mercado e farmácia, nem efetuar nenhum contato (físico ou por telefone) com todos os investigados no inquérito das manifestações antidemocráticas. Ela também usará uma tornozeleira eletrônica, confirma antecipou a coluna Radar.

“A sensação é a de que ela segue presa, mas agora dentro de casa”, diz o advogado Paulo Cesar Rodrigues de Faria. Sara também está impedida de dar entrevista para blogs acusados de espalhar fake news nem ver nenhum integrante do grupo “300 do Brasil”, que ela liderava. Sobre poder ou não usar rede social, seu advogado afirma que o assunto não consta da lista feita pelo ministro Moraes.

Ontem, Sara Winter dobrou a aposta contra Alexandre de Moraes. Sua defesa entrou com um pedido para afastar o juiz da investigação.