Por que Arthur Weintraub ganhou o apelido de “homem-tocha” no governo

Instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto, Arthur Weintraub é conhecido como o “homem-tocha” pelas pessoas que lidam com ele no dia a dia. A razão: Arthur, que é assessor especial do presidente, inflama e contamina discussões. Por isso, muitos o consideram uma influência negativa para Jair Bolsonaro. Tal qual seu chefe direto, Arthur também é adepto de teorias das conspirações. Embora não esteja no dia a dia das ações digitais, Arthur tem diálogo e bom trânsito com Tércio Arnaud Tomaz, integrante do chamado “gabinete do ódio”.

Ainda que tenha menos projeção que o irmão, Abraham, o Ministro da Educação, Arthur tem prestígio em alta junto a dois filhos do presidente, Carlos e Eduardo Bolsonaro. Nesta semana, ao falar no seminário “A conjuntura internacional no pós-coronavírus”, organizado pela Fundação Alexandre Gusmão, Arthur acusou a China de usar a pandemia de coronavírus para lucrar: “Quem que lucrou com isso? Qual país que lucrou com isso? Basta olhar. Que país que lucrou com isso? Quem está vendendo respirador caro. Vou dar um exemplo seco, para não me acusarem, não ser processado. O quilo da cloroquina custava 150 dólares, o insumo do sal da cloroquina, da hidroxicloroquina. Hoje, está sendo vendido a 500 dólares na Índia, a gente entende, uma procura maior. E a 2 000 dólares pela China. E sem falar de respiradores e de compra de empresas por um país aí, que  não quero nem mencionar o nome, mas está comprando o mundo inteiro. Mas como? Como se capitalizou? Qual foi o motivo de se capitalizar? É muito evidente, né, pessoal?! Vamos falar aqui. É muito evidente”, disse Arthur. Vale lembrar que o ministro Abraham Weintraub responde a um processo no STF por fazer insinuações semelhantes contra a China.

Leia nesta edição: como a crise fragiliza as instituições, os exemplos dos países que começam a sair do isolamento e a batalha judicial da família WeintraubVEJA/VEJA

Advogado especializado em previdência, Arthur Weintraub e seu irmão travam uma batalha rumorosa em torno do patrimônio do pai, o psiquiatra Mauro Weintraub, conforme VEJA revelou. Sozinho, Arthur entrou com duas ações no Tribunal de Pequenas Causas, ajuizadas em 2011: pediu ao pai para ele continuar pagando seu plano de saúde (perdeu) e solicitou uma busca no imóvel do pai para pegar seus desenhos infantis (a busca não foi autorizada e Arthur não compareceu no fórum no dia da devolução dos desenhos).

Segundo parentes, Arhur era ateu até recentemente. Ele virou evangélico e, como circula em Brasília, o movimento espiritual foi pensado para dar um upgrade no currículo dele de olho na vaga para o STF aberta durante o governo de Jair Bolsonaro, que já declarou querer um nome “terrivelmente evangélico” na corte.