Sara Winter dobra aposta contra Moraes em último ato antes de deixar prisão

Um dia antes de deixar a prisão em caráter preventivo, algo previsto para ocorrer nesta quarta-feira, 24, a extremista Sara Winter adotou uma nova estratégia. Seus advogados entraram com uma ação contra o ministro Alexandre de Moraes, no próprio Supremo Tribunal Federal, para impedi-lo de comandar o inquérito 4828, que investiga atos antidemocráticos realizados nos últimos meses.

A defesa de Sara – que ameaçou a segurança de ministros da Corte assim como falava em luta armada contra o STF –, também quer a nulidade de todos os atos de Moraes. “Arguimos o impedimento pelo fato de Alexandre de Moraes ter representado Sara Winter, algo que se converteu em denúncia. O Código de Processo Penal diz que o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que ele próprio for parte ou diretamente interessado no feito”, diz Paulo César Rodrigues de Faria, um dos advogados da extremista.

Diz a petição assinada pelos quatro advogados de Sara Winter, protocolada na noite de terça, 23, no STF: “Moraes impediu, com notório abuso de autoridade, o acesso de sua defesa aos autos do inquérito 4828/DF, uma vez que, até a presente data, 23/06/2020, não recebeu cópia da decisão que motivou sua prisão, tampouco nota de culpa descrevendo o suposto crime, o que configura ato manifestamente ilegal. Trata-se de uma prisão arbitrária e que vem sendo utilizada apenas com o estrito sentido de enviar um recado ao país de quem ‘aqui quem manda, sou eu’”.

Os advogados da extremista chamam de “escárnio” o fato de não terem tido acesso ao inquérito da prisão, e que o STF não pode compactuar com tamanha “aberração jurídica”. O pedido de impedimento de Moraes será analisado pelo presidente do STF, Dias Toffoli.

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Sara Winter é, na verdade, Sara Giromini. O nome de guerra da extremista foi inspirado em uma espiã nazista. Sara está à frente do grupo “300 do Brasil”, turma que realizou em Brasília uma assombrosa manifestação inspirada na Klu Klux Klan e participou de ataque com fogos de artifício contra o prédio do STF, entre outras aberrações. A prisão de Sara foi calculada pela própria: ela queria ter ganhos políticos e projeção com o confinamento. Seus advogados dizem que a cliente tem endereço fixo em Brasília – há uma suspeita de que ela precise usar tornozeleira eletrônica ao deixar a cadeia.

Mãe de um filho criança, Sara Winter não tem relações com seu pai e seus dois irmãos. Todos vivem em São Carlos, interior de São Paulo. Ela fala apenas com a mãe, que é quem de fato cuida do neto.

Leia nesta edição: como a prisão do ex-policial pode afetar o destino do governo Bolsonaro e, na cobertura sobre Covid-19, a estabilização do número de mortes no BrasilVEJA/VEJA

Ilhabela: Justiça derruba veto e turistas podem entrar na cidade

Após mais de 90 dias fechada para a entrada de turistas e donos de casas de veraneio no município, Ilhabela agora vai voltar a receber público de fora. O juiz Vitor Hugo Aquino de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, derrubou o veto de circulação na cidade. “Deve-se reavaliar as premissas anteriores, porque não se pode, por simples comodidade do município, limitar o inato direito de locomoção; vale dizer, o direito de ir e vir”, escreveu ele no despacho desta terça, 23.

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A medida do veto à entrada de carros e pessoas de fora se deu por meio de decreto assinado pela prefeita Gracinha (PSD), como forma de evitar a propagação da Covid-19. Comerciantes e lideranças locais fizeram pressão, muitos pedindo o impeachment da política. Ela, por sua vez, relata ser sofrido ataques de toda sorte, inclusive de cunho racista, pelas redes sociais.

Embora tenha feito uma rigorosa restrição, Ilhabela não ficou livre de gente de fora. Nos feriados, moradores locais viram diversos helicópteros pousando em mansões equipadas com helipontos. Até dia 10 de junho, Ilhabela tinha registrado duas mortes por Covid-19 e um total de 59 casos.

Edir Macedo e Universal reagem a insurreição de bispos em Angola

Na segunda, 22, dezenas de bispos tomaram conta de templos da Universal em Luana e Benguela, entre outras cidades da Angola, em um levante inédito contra as lideranças escolhidas por Edir Macedo, que trata o episódio como um “golpe”. Entre os motivos para o levante no país africano, os bispos insurgentes citam evasão de divisas, abuso de autoridade e racismo. O braço angolano da Igreja Universal emitiu nesta terça, 23, um comunicado para apresentar sua defesa sobre a insurgência inédita na história da entidade de Edir Macedo. “Para confundir a sociedade angolana, invasores espalham mentiras absurdas”, diz o texto.

A Universal dá outra versão. Afirma, na verdade, ter sido vítima de “invasores”, todos eles ex-pastores e ex-bispos da entidade, expulsos por má conduta e desvios morais. “A Igreja Universal do Reino Deus está presente em Angola, oficialmente reconhecida desde 17 de julho de 1992, com atualmente 512 pastores, dos quais 419 angolanos, 65 brasileiros, 24 moçambicanos e 4 são-tomenses. A Igreja Universal sempre se pautou pelo amor ao próximo, moralidade, civismo e respeito às autoridades constituídas”, diz o comunicado.

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“A Igreja viu-se invadida em Luanda, Benguela, Huambo e Malange por um grupo de ex-pastores desvinculados da instituição por práticas e desvio de condutas morais e em alguns casos criminosas contrárias aos princípios cristãos exigidos de um ministro de culto, os mesmos tomados por um sentimento de ódio utilizaram de ataques xenófobos, agrediram e feriram pastores, esposas de pastores e funcionários, usando a violência com objetivo de tomar de assalto a igreja com propósitos escusos”, segue o texto.

A Universal contatou a polícia local para reaver o controle das dezenas de templos.

O “golpe” sem precedentes contra Edir Macedo e Universal em Angola

Um dos países mais estratégicos para a Igreja Universal fora do Brasil, Angola tem templos sob nova direção. Ou pelo menos 40% da operação da entidade no país. Um grupo de bispos e pastores da igreja criada por Edir Macedo assumiu o controle de 35 endereços localizados na capital, Luanda, e de 50 outras igrejas em cidades como Benguela.

Dentro na Universal, Macedo usa o termo “golpe” para se referir à ação ocorrida na segunda, 22. Os pastores de Angola criticam a direção da organização, por eles acusada de racismo, discriminação, abuso de autoridade, evasão de divisas e imposição de vasectomia em parte da equipe. A briga tornou-se pública no final de 2019 e culminou na ruptura definitiva.

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O grupo de insurgentes diz que a entidade no país será chamada de Igreja Universal de Angola. Trata-se de um movimento sem precedentes na história da Universal. Os frutos do plano de expansão para o exterior da igreja de Macedo não são resultados de milagres: vieram de um planejamento cuidadoso, posto em prática a partir dos anos 80.

Atualmente, a instituição tem cerca de 2 800 templos espalhados por mais de 100 países. O continente africano se revelou o terreno mais fértil para esse crescimento formidável, concentrando hoje a maior parte da operação no exterior. O medo da Universal é que pastores de outros países também se rebelem. A situação na Costa do Marfim é considerada preocupante.

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Edir Macedo reagiu ao levante e entrou em contato com a polícia local, além de responder às acusações.

Instagram lança no Brasil ferramenta de vídeo para minar o TikTok

A guerra bilionária das redes sociais pela adoração, tempo e intimidade do público ganha um novo capítulo. O Instagram lança na quarta, 24, uma das maiores inovações desde que o aplicativo foi criado, em outubro de 2010. Batizado de Reels, pacote com inúmeras possibilidades de edição de vídeo que faz o Stories parecer uma invenção da Idade da Pedra. Os novos recursos são parecidíssimos com a dinâmica do TikTok. Não é uma coincidência: o objetivo do Instagram é justamente o de conter o avanço do aplicativo chinês adorado por crianças e adolescentes (no período de quarentena, a ferramenta ganhou ainda mais popularidade).

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VEJA participou de uma reunião online com Tessa Lyons-Laing, diretora de produtos do Instagram, para ter acesso em primeira mãos às novidades. “Os testes deste novo recurso começaram justamente no Brasil, em novembro do ano passado, porque o público daí gosta de novidade”, contou Tessa, de São Francisco. Além do Brasil, Alemanha e França serão os três países que terão o recurso Reels neste primeiro momento.

Reels: estreia mundial será pelo Brasil, França e AlemanhaReprodução/VEJA

O Reels promete maior distribuição e alcance, hoje um calcanhar de aquiles do Instagram. Uma das principais queixas de usuários do app americano é o fato de ele restringir bastante o número de pessoas impactadas pela foto publicada no feed e Stories. Para efeito de comparação: uma pessoa com 10.000 seguidores no Instagram muitas vezes recebe apenas 300 curtidas em uma foto. No TikTok, um perfil com módicos 30 seguidores pode ter um post visto por mais de 3.000 pessoas (algo impensável no Instagram). Dessa forma, o Reels na aba Explorar será uma forma de descobrir seu novo comediante, profissional inspirador, tendências de dança ou de beleza. Em outras palavras: será mais fácil ganhar novos seguidores com os recursos de vídeos do Instagram, uma vez que mais gente pode entrar em contato com o conteúdo de vídeo.

As principais novidades do Reels:
– 15 segundos: esse será o tempo de gravação do vídeo, definido pelo data base do Instagram (45% de todos os vídeos do Stories têm até essa duração)
– Para além das 24 horas: os vídeos podem ficar armazenados no Reels por tempo indeterminado, como as fotos no feed, para muito além da efemeridade do Stories
– Rascunho: os vídeos podem ser salvos  em modo rascunho
– Prepare-se para a chuva de “dancinhas”: sabe as coreografias e desafios do TikTok? Poderão ser replicados. O Instagram vai permitir acesso à biblioteca de músicas da plataforma e também à particular do usuário
– Timer e infinidade de cores de edição: sim, todos estarão presentes
– Sem links: para azar de marcas, influenciadores e empresas de mídia, nesse primeiro momento não haverá links para serem inseridos no Reels

Ao criar o recurso do Stories em 2016, o Instagram tinha como objetivo brigar com o SnapChat. Deu certo. Resta ver se agora vai conseguir conter o avanço do TikTok.

“Sérgio Camargo é um alienado”, diz Zezé Motta

Uma das mais respeitadas atrizes do país, Zezé Motta, de 75 anos, vê com profunda tristeza a chefia da Fundação Palmares entregue a Sérgio Camargo, que tirou do site da entidade biografias de personalidades como os abolicionistas Luís da Gama e André Rebouças.

Como avalia a gestão de Camargo? Nunca imaginei que, depois da ditadura, passaríamos por esse momento. Eu estive na inauguração da Fundação Palmares, em 1998, que nasceu em defesa da cultura negra. Esse homem está no lugar errado e é um alienado. Eu me pergunto: será que ele não se dá conta do que é o racismo? Tirar biografias é uma forma de apagar a história. Ele também cometeu a ousadia de desrespeitar a Alcione, um patrimônio nacional.

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Como a senhora vê o racismo nas novelas? Se eu fosse chamada para fazer um trabalho, não haveria espaço para a Neusa Borges. Quando a Chica Xavier era escalada, não tinha vez para a Ruth de Souza. As coisas estão melhores, com mais personagens negros em papel de destaque. Mas não há na TV diretor nem autor negros. Não tenho nada contra fazer o papel da doméstica, jamais discriminaria uma classe. Mas o personagem negro só fazia motorista, enfermeira e doméstica — e não tinha filhos nem família: vivia a reboque dos personagens brancos.

Como tem sido sua quarentena? Minha mãe morreu aos 95 anos, há dois meses. Nada relacionado com a Covid, ela era diabética e hipertensa. Na última conversa que tivemos, ela me falou: “A vida está chata: só tomo remédio e sou repetidamente internada”. Mas a partida machuca. Voltei a fazer análise, agora on-line.

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Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

Os próximos passos de Ludmilla após o ‘exposed’ de Anitta

A cantora Ludmilla publicou recentemente um vídeo para provar — e conseguiu — que sua ex-amiga Anitta passou a perna nela para aparecer como coautora do hit Onda Diferente. Ela se diz aliviada por ter contado tudo e espera não ser mais alvo de fãs de Anitta, que entupiram as redes sociais com ofensas de todo tipo, até raciais. No momento o foco de Ludmilla, além de lucrar com o novo single (“Limpa antes que caia dentro / No cantinho da boca escorrendo o seu veneno”), é ter uma voz mais ativa nas redes sociais. Na esteira do sucesso de Felipe Neto e do agora desafeto, ambos com poder de influenciar em assuntos relacionados à política, Ludmilla quer abordar temas como educação, assassinato de negros e direitos LGBTs na internet.

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Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

Falabella fecha nova parceira após deixar Globo

Mesmo com um currículo de obras relevantes como ator, diretor e autor, Miguel Falabella não teve seu contrato renovado com a Rede Globo após 38 anos de casa. Mas a fila andou rápido. Na semana passada, Falabella e a desenhista Vivian Suppa fecharam contrato com a Disney. Eles vão levar para lá o Canal da Charlotte. Criado em 2018 pela dupla e veiculado no YouTube, onde fez grande sucesso, o programa conta as aventuras de uma menina de 7 anos que, depois de perder um dente, recebe uns óculos mágicos e passeia pelo mundo da fantasia e da literatura.

Leia nesta edição: como a prisão do ex-policial pode afetar o destino do governo Bolsonaro e, na cobertura sobre Covid-19, a estabilização do número de mortes no BrasilVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

Como Mario Frias conseguiu uma boquinha no serviço público

Ator e apresentador sem grandes feitos, Mario Frias ganhou os holofotes quando apareceu como favorito para ser o novo secretário de Cultura (na noite de sexta, seu nome foi confirmado). Com seu ralo talento dramático, Frias apostou na tática da radicalização para emplacar no governo. Apoiador conhecido de Jair Bolsonaro, ele procurou se mostrar ainda mais alinhado com o presidente. O ator seguiu a cartilha olavista e ideológica: bateu na China, na imprensa, nos governadores… No dia 25 de abril, tinha 187 000 seguidores no Instagram. Agora, soma 314 000. Além da popularidade nas redes, a estratégia radical deu frutos na campanha por uma boquinha no serviço público.

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Publicado em VEJA de 24 de junho de 2020, edição nº 2692

Fabrício Queiroz: o singelo nome da chácara onde ele estava abrigado

Havia uma singela placa na portaria da residência onde Fabrício Queiroz foi preso na manhã desta quinta, 18, em Atibaia: “Sonho Meu”. Esse era o nome dado à chácara que pertence a Frederick Wassef, advogado de Queiroz na investigação no caso das rachadinhas. Wassef também advoga para o senador Flávio Bolsonaro na mesma investigação e para o presidente Jair Bolsonaro.

A chácara de Wassef serviu de abrigo para Queiroz e sua mulher ao longo de um ano, segundo informou o delegado Osvaldo Nico Gonçalves para a GloboNews. A região onde fica o imóvel é bastante arborizada e mais centralizada em comparação ao sítio de Lula, localizado na mesma cidade. O imóvel “Sonho Meu” fica relativamente perto da Rodovia Fernão Dias e a menos de 75 quilômetros do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde Queiroz em determinado momento fez tratamento contra um câncer.

O início da reabertura em grandes cidades brasileiras, os embates dentro do Centrão e a corrida pela vacina contra o coronavírus. Leia nesta edição.VEJA/VEJA