Afinal, quando a traição caracteriza uma relação abusiva?

Relações abusivas costumam ser marcadas por diferentes tipos violência: agressões físicas, mentiras, abuso da confiança. No entanto, outra característica que também costuma fazer parte desse tipo de envolvimento é a traição.

Segundo especialistas, a traição é uma terrível forma de abuso. Ela desconstrói vários pilares emocionais importantes. A infidelidade é uma marca das pessoas abusivas.

Nos últimos dias, o tema preferido das redes sociais foi o rompimento da relação entre a empresária Mayra Cardi com o ator Arthur Aguiar.

Ela publicou um relato nas redes sociais em que faz uma série de acusações ao ex-marido, Arthur Aguiar. Nele, Mayra afirma ter vivido um relacionamento abusivo com o pai de sua filha e alega ter sido traída diversas vezes durante o casamento.

Arthur, por sua vez, gravou um vídeo em que admitiu a infidelidade, mas rechaçou a acusação de abuso. Na resposta da publicação, já deletada pelo artista, seguidores não conseguiram entrar em consenso sobre qual dos dois tem razão.

Mayra Cardi e Arthur Aguiar quando ainda formavam um casal feliz


De acordo com a psicóloga Adriana Souza, a traição pode sim ser considerada uma forma de agressão ao relacionamento, e por isso configura um abuso. “A relação monogâmica é um combinado entre duas pessoas e quebrar esse pacto é uma irresponsabilidade afetiva”, opina a profissional.

Ela explica que a traição deve ser considerada uma ferramenta de abuso, pois impacta diretamente na autoestima do outro.

Geralmente a infidelidade leva ao abuso psicológico e não ocorre de forma isolada. Vem acompanhada de manipulação, mentiras que acabam atingindo até pessoas que não fazem parte da relação como familiares e amigos.

A também psicóloga Pâmela Magalhães, convidada por Mayra a esclarecer o assunto em uma live transmitida em seu instagram, valida a opinião da colega. “Existe o abuso invisível, silêncios ensurdecedores, jogos emocionais e atitudes destrutivas que não vão aparecer como um soco, um tapa, mas que são extremamente nocivos”, pontua.

Apenas casais héteros vivenciam relações abusivas?


As mulheres não são as únicas vítimas de relacionamentos abusivos. Eles acontecem com mulheres, homens, pessoas hetero ou homossexuais. Relacionamentos abusivos podem acontecer entre pessoas de todos os gêneros. 

Recentemente, um dos empresários mais influentes e poderosos  do meio artístico descobriu que estava vivendo um relacionamento abusivo.

Ney Alves, que é responsável pelo sucesso na carreira de muitos artistas da televisão,  até o mês passado mantinha um relacionamento de aproximadamente cinco anos com o modelo e também funcionário público, Lucas Corrêa Maia.

Segundo a coluna do jornalista Nelson Rubens,  ao descobrir que era vítima das traições de Lucas, o empresário teria questionado o rapaz. Pressionado, ele partiu para a agressão física numa tentativa de homicídio, quase chegando às vias de fato por enforcamento, deixando o empresário desacordado no chão de seu próprio apartamento. 

Ao ser procurado por nossa reportagem, o Ney negou a versão apresentada, contestando as informações obtidas através de fonte segura, na tentativa frustrada de proteger a imagem do rapaz.

Segundo especialistas, E normal vermos situações em que o abusador sinta-se desesperado quando é confrontado com a realidade. Alguns partem para crises de choro. Criam situações fantasiosas para justificar seu atos abusivos. Outros se tornam agressivos e partem para a violência física, diante da impotência de justificar suas traições.

Assim como no caso de Mayra como o de Ney, é normal que num primeiro instante, a vítima do abuso ou de violência tente “abafar o caso” na intenção de preservar a reputação do seu abusador diante da sociedade, familiares e amigos.

Traidores, abusadores e manipuladores


Pela experiência no atendimento de casais, Adriana acredita que, os fatos narrados por Mayra para justificar a queixa de abuso psicológico – como o fato do ex-companheiro chorar, pedir desculpas e fazer promessas de que ia mudar sempre que um caso vinha à tona – apontam, sim, para uma relação abusiva e psicopata.

“O relato de Mayra fala de traição, mas também de chantagem emocional e manipulação. É um conjunto de situações”, argumenta a especialista.

A profissional destaca que muitas pessoas acabam permanecendo nessa situação porque, ao se dar conta do que estão vivendo, já estão emocionalmente abalados.

“Vi muitos comentários, pessoas dizendo que ‘ela aceitou’, que ‘ela quis’. É muito complicado dizer isso em um contexto de adoecimento emocional. Às vezes, a pessoa viveu anos tendo sua autonomia emocional destruída pelo parceiro e, por isso, vive em um ciclo de decisões destrutivas”, entende Adriana.

Pessoas que se encontram nessa situação, devem procurar ajuda de um especialista. “Um psicólogo irá ajudar a compreender sua responsabilidade pessoal diante desses fatos e retomar a autoestima, para que o padrão não se repita em relações futuras”, aconselha Adriana.

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