Novos modos: como se reconectar e inovar nas conversas após a quarentena

Mais empática ou distante, ninguém sabe ainda como a população deve sair do longo período de isolamento. Mas com o afrouxamento da quarentena na cidade, alguns protocolos de convivência prometem vir à tona. “As pessoas sentem cada vez mais falta de conexões e agora precisam encontrar novas maneiras de se relacionar com segurança”, pontua Patricia Junqueira, fundadora da Escola Brasileira de Etiqueta. Ao considerar rever amigos e familiares, seja em locais abertos, seja em pequenas reuniões feitas em casa, a especialista destaca novos fatores sobre as relações sociais, como tentar ao máximo ser otimista e evitar reclamações. “Se tiver medos que tem vontade de compartilhar, o ideal é abrir o coração de forma leve para dar espaço a esses contatos”, sugere. “Esta fase envolve principalmente o cuidado com o outro”, afirma a psicóloga Maria Aparecida das Neves. “Se determinados assuntos trazem inquietação a alguém, faz parte da generosidade humana perceber o limite emocional de cada um e mudar a conversa.”

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Para o repertório dos diálogos pós-quarentena, vale substituir as amenidades por conversas sobre gostos e experiências pessoais, de lives e filmes favoritos a receitas e descobertas feitas em casa durante o período de isolamento social. “Se for para falar de Covid, que seja com positividade”, acredita Patricia. “Vivemos uma transição e vale considerar quais são as oportunidades deste mundo novo ao nos relacionar.”

Com o contato físico limitado, a troca de olhares e foco durante as conversas ganham ainda mais importância. “Os relacionamentos presenciais têm mais qualidade quando ouvimos atentamente, com a cabeça onde está nosso corpo, sem apontar muitos defeitos e deixando o celular de lado”, diz Rosalina Moura, psicóloga e terapeuta de casais e familiares. “Pelas regras de etiqueta, agora o celular nem sequer entra à mesa”, acrescenta Patricia. Por estar sempre próximo do rosto, o aparelho pode conter algum vírus em sua superfície e aumentar as chances de contágio. “Em uma visita, é melhor mantê-lo dentro da bolsa e avisar os conhecidos que você vai ficar indisponível por algumas horas.”

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Respeitar limites nessas ocasiões, segundo as especialistas, inclui entender quais medidas os anfitriões continuam seguindo dentro de casa, como deixar os sapatos na entrada ou usar máscaras protetoras o tempo todo. “É preciso seguir essas regras, ter um lugar para o álcool em gel, quem sabe até levar uma pantufa e bolsinhas de plástico para uma máscara extra”, exemplifica Patricia. “Assim todos se sentem seguros e acolhidos.”

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A comodidade também é elemento essencial nesses encontros e diminui perigos que envolvem, por exemplo, o preparo dos alimentos. “Estamos acostumados a levar pratos ao fazer visitas, mas neste momento pode ser melhor pedir uma comida por delivery e não ter trabalho”, recomenda Patricia.

Embora alguns locais estejam retomando as atividades, encontros presenciais ainda são um risco de contaminação pelo coronavírus e, caso sejam organizados, devem seguir todas as medidas de prevenção, em grupos pequenos.

“Cada um sabe como se sente mais confortável neste momento e é importante entender as limitações individuais”, diz Rosalina. A tolerância envolve, por exemplo, aceitar a possibilidade de alguém recusar convites por enquanto. “Este isolamento trouxe a oportunidade de as pessoas refletirem sobre as coisas que têm valor em sua vida”, completa Rosalina. “E uma delas é o contato humano.”

Mudando de assunto…

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Se você fosse escrever um livro agora, qual seria o título?

Por quais coisas você mais sente gratidão na vida hoje?

 

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 22 de julho de 2020, edição nº 2696.

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