Casa do Povo arrecada óleo de cozinha, alimentos não perecíveis e roupas

O centro cultural Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro, ampliou suas ações sociais durante a pandemia. Entre as atividades promovidas junto aos vizinhos, há a produção de sabão caseiro para distribuição em centros de acolhida e a moradores de rua. O item é feito graças à doação de potes de sorvete limpos e óleo de cozinha (usado, novo ou vencido), recebida de segunda a sábado, das 11h às 17h. Nesses dias e horários também são coletados alimentos não perecíveis e roupas de frio destinados a famílias que moram na região e estão em situação de vulnerabilidade social.

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Com foco na geração de renda, foi criada uma frente com cerca de 76 costureiras para a produção de máscaras de tecido. Os acessórios de proteção podem ser adquiridos pelo email voluntariado@casadopovo. org.br. “Os tecidos são doados por empresas. As costureiras fazem as máscaras e determinam o valor. Nós as compramos ou ajudamos na venda”, explica o curador e gestor cultural da Casa do Povo, Benjamin Seroussi.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Duo Badulaque anima festas de aniversário infantil on-line

Para animar a festa de aniversário da garotada, uma boa opção é o show on- line do Duo Badulaque. A apresentação dura cerca de 45 minutos e pode ser realizada na plataforma de escolha dos pais, sem limite de convidados.

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O repertório da dupla formada por Daniel Ayres e Julia Pittier é focado em produções originais, mas canções de autores consagrados, como Luiz Gonzaga, podem ser incluídas se pedidas com antecedência. A brincadeira custa em média 1 200 reais.

Com os eventos cancelados, o casal se prepara para o nascimento da primeira filha, Iara, que deve inspirar novas produções voltadas para a primeira infância. “A sensação é que o mundo parou para ela ser gerada”, brinca o pai.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Conheça a produção da ex-juíza do trabalho Sueli Espicalquis

A juíza do trabalho Sueli Espicalquis, de 65 anos, aposentou-se em 2004 e rumou logo em seguida para as artes visuais. No ano seguinte, começou a fazer uma série de cursos livres com grandes nomes da área, como o pintor Paulo Pasta e o crítico Rodrigo Naves. Sua produção em tela une tinta a óleo com cera, como visto nas duas pinturas feitas em 2019. “Organizo meu mundo naquela superfície. É como uma paisagem, vista de cima. Parece plácido, mas tem muito ruído”, elucida ela.

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Mais recentemente, nos trabalhos da série Bandeiras, de 2020, ela utilizou pedaços de tecido, do tipo voil, e alfinetes. “Crio aí um estranhamento corporal, a partir do toque de dois elementos antagônicos, o tecido leve e o alfinete, pontiagudo e duro”, completa ela a segunda parte da explicação sobre suas obras.

Ivan PadovaniDivulgação
João MascaroDivulgação

As cores, para a artista paulista, também são muito importantes. Muitas vezes, ela faz tons do mesmo matiz se encontrar, em outros momentos prefere opor faixas esmaecidas a vibrantes. Nessas opções e em muitas outras aventadas, a cor preta também aparece, em retângulos ou figuras sem classificação, como se Sueli gostasse da geometria certeira, sem perder a oportunidade de reinventá-la. Aonde vão chegar suas linhas fragmentadas, não se sabe, mas, a contar de suas referências (Van Gogh, Matisse, Gauguin, Volpi), o caminho promete ser longo.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Três plataformas que ensinam técnicas de desenho para as crianças

> Para manter os pequenos artistas ocupados, a Epson lançou a plataforma gratuita de atividades e desenhos para imprimir Ecotank4Fun. Dá para aprender a fazer cápsulas do tempo (espécie de diário da quarentena com perguntas sobre o que a criança está sentindo agora e o que tem feito) e máscaras divertidas, por exemplo. Os conteúdos são divididos em três categorias. A seção Fun4Kids reúne brincadeiras mais coloridas e com menor grau de dificuldade, ideais para as crianças até 7 anos de idade. Os mais crescidinhos podem arriscar dobraduras e pinturas mais intrincadas no espaço Days4Fun. A última aba, Fun4You, é dedicada aos pais. Na lista de impressão dos adultos aparecem planners, papéis de presente e embalagens. Detalhe importante para ficar de olho: alguns dos conteúdos explicativos estão escritos em espanhol. epson.com.br/ecotank4fun.

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<span class=”hidden”>–</span>Stabilo/Divulgação

> A Stabilo também criou uma plataforma gratuita dedicada a projetos artísticos. Estão disponíveis 29 tutoriais de arte que ensinam a rascunhar um pouco de tudo: retratos, animais e até foguetes. Há ainda alguns vídeos mais divertidos, com truques de mágica simples e experimentações com texturas. Quem não manda muito bem com o grafite pode optar por baixar e imprimir um dos três pacotes de desenhos para colorir. Os pais podem se divertir com uma seção equipada com diversas mandalas, letterings e dicas de planejamento. Toda semana no perfil do Instagram @stabilobrasil há novos desenhos explicados passo a passo. stabilo.com/br

<span class=”hidden”>–</span>Tiago Lacerda/Divulgação

> Desde que as atividades presenciais foram suspensas, o Itaú Cultural tem investido em uma boa programação on-line para a criançada. Até o dia 23 rolam duas aulas semanais de ilustração. Nas terças, às 11 horas, os encontros são ministrados por Ziza, que ensina técnicas para criar rostos e paisagens urbanas. Nas quintas, também às 11 horas, é a vez do quadrinista Tiago Lacerda, com dicas voltadas para a criação de personagens e histórias originais. Há duas outras oficinas já encerradas que ainda podem ser acessadas no site do museu, comandadas pelos artistas Augusto Figliaggi e Gabriela Gil. Em paralelo, também ocorrem aulas on-line de dança mirim, coordenadas por Mônika Bernardes e Gisele Penafieri, aos domingos e às quartas, no mesmo horário.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Vim para a Band criar coisas. É o meu maior talento, diz Zeca Camargo

Novo diretor executivo de produção da Band, o jornalista chega à emissora paulistana para cuidar da área de entretenimento depois de 24 anos na Rede Globo.

Como foi o fim do casamento profissional com a Globo depois de 24 anos na emissora?
Foi bastante inesperado. Ouvia falar em reestruturação, mas não podia imaginar que ia chegar a mim. Não acredito que o problema fosse o programa (o É de Casa, levado ao ar aos sábados pela manhã), que vai bem. Foi por uma questão financeira. Era um salário grande. Aliás, só descobri que meu salário era tão grande porque houve o corte. Essa foi a explicação dada e acatei. Não teve espaço para negociação. Ouvi nessa conversa que outros contratos não se- riam renovados. Hoje, acompanhando a Rede Globo pelas redes sociais, isso se cumpriu.

O começo de carreira,<br />na Folha de S.PauloArquivo Pessoal/Divulgação

Especularam que o seu salário era de 300 000 reais e que na Band seria de 200 000 reais. É isso mesmo?
Desafio qualquer pessoa que falou do meu salário a provar quanto eu ganho. Está bem abaixo desse valor. São chutes bastante grosseiros. Desde que fui para o entretenimento, passei a receber merchandising. Nem assim. Entre as pessoas com quem trabalhei, não conheço alguém com um salário tão grande.

Nos tempos de VJ, na MTVArquivo Pessoal/Divulgação

Como será seu trabalho na Band como diretor executivo de produção?
Uma surpresa enorme esse convite. Depois de trabalhar tantos anos da Globo, a gente pensa “onde vou me encaixar?”. E foram várias propostas, do cabo ao streaming, passando pela internet. Mas acreditava que não ia mais trabalhar em TV aberta (a emissora anunciou que Zeca será responsável pela unificação das plataformas de rádios, tele- visões e digital do grupo). Estou aqui no meu primeiro dia (o contrato foi assinado em 3 de julho e esta entrevista foi dada no dia 6, a última segunda). Vim para a Band para desenvolver ideias, criar coisas, acho que esse é o meu maior talento. Há uma demanda grande de criar um programa de música e novos realities. Tive um bom briefing na semana passada, mas qualquer projeto pensado tem uma variante nova, que é a Covid-19. Para mim, é muito claro que estou na área de entretenimento e qualquer ação no jornalismo será uma colaboração.

A estreia no FantásticoArquivo Pessoal/Divulgação

Por onde vai começar?
Neste momento, minha primeiríssima missão é resolver o horário da manhã. Ainda não sei se continua o Aqui na Band ou se será um novo programa. Nesse horário, tem de ter a fala do espectador. Acho nobre haver debates, mas é importante incluir o público, chamar a interatividade. Um caminho para a TV aberta é incluir cada vez mais o telespectador. As pessoas gostam de participar, dar palpite no programa.

No intervalo das gravações de No LimiteArquivo Pessoal/Divulgação

Você tem uma carreira extensa e vitoriosa tanto no jornalismo quanto no entretenimento. O que ficou na memória do período inicial?
Que saudade tenho dos bloquinhos da Folha (de S.Paulo, onde foi repórter e editor da Ilustrada). Guardei o caderninho do Cazuza, quando ele contou que era soropositivo. Eu era correspondente em Nova York, em 1989, e ele ia sempre para Boston para se tratar. Ele falou pela primeira vez o que todo mundo tinha perguntado, e, anteriormente, sempre negou. Foi a chamada de capa do jornal. Outro dia, achei o bloquinho em que anotei a entrevista com a Annie Lennox, do Eurythmics. Estava tão nervoso que nem entendo minha letra. São só rabiscos. Era pauteiro da Ilustrada e cobri a chegada da MTV. Como escrevia sobre música, me convidaram para fazer um teste para VJ, e foi minha estreia na TV. Foi muito prazeroso entrar pela MTV, que não tinha regras. Tenho de agradecer ao Ivaldo Bertazzo (coreógrafo de cuja companhia de dança Zeca fez parte). Tenho 1,89 metro. Foi ele quem disse que não poderia ignorar o meu tamanho, me colocou num palco. Depois, passei a encarar a câmera como minha plateia.

Com o símbolo do reality que o tornou conhecido nacionalmenteArquivo Pessoal/Divulgação

Como foi a chegada à Globo?
Eu estava na CAPRICHO (da Editora Abril) e fui convidado pelo Luiz Nascimento, então diretor do Fantástico, para ser editor-chefe em São Paulo e fazer algumas reportagens. Nunca imaginei que seria convidado para ter uma posição tão importante no programa, que naquela época tinha uma concorrência forte com a MTV por causa dos lançamentos de clipes. Foram dezessete anos, dos quais fiquei sete full-time na apresentação. Também ajudou ter apresentado o reality No Limite, a partir de julho de 2000. Não dava para imaginar que seria aquele sucesso enorme. A gente não saía do espaço da gravação em Beberibe, no Ceará, e, ao final, quando voltei para São Paulo, fui aplaudido no avião. Virou um assunto nacional e deu pico de 56 pontos de audiência no Ibope. Para evitar que vazasse o resultado, o Carlos Henrique Schroeder (então diretor de jornalismo) me tirou do Brasil e me mandou para a Irlanda. De tão importante, o reality foi capa da VEJA.

Como apresentador da revista eletrônica da GloboArquivo Pessoal/Divulgação

Outras recordações desse período?
No Fantástico, entrevistei Madonna, Mick Jagger, Paul McCartney… Nunca tive a sensação de estar fazendo a mesma coisa. E dei voltas ao mundo. O primeiro Diário de Viagem foi em 2004 e era um dos primeiros quadros de interatividade. O público tinha uma participação no conteúdo do programa escolhendo meu próximo destino. E tinha uma dificuldade tecnológica grande. Eu e o cinegrafista mandávamos horas de gravação de cibercafés. Não tem coisa mais importante do que a notícia. Pode parecer lugarcomum, mas os 24 anos na Globo foram muito enriquecedores e divertidos.

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Novo canal no YouTube trará 40 espetáculos de teatro infantil inéditos

Na onda das plataformas on-line de teatro infantil, a Cia. Arte & Manhas propõe um modelo um pouco diferente. O novo espaço gratuito Tá na Hora do Teatro mistura técnicas do teatro clássico com alguns elementos do cinema, em um formato adaptado para a web. As peças chegam ao canal do YouTube todas as segundas, às 19 horas, e duram cerca de quinze minutos. Na agenda de julho estão previstos quatro clássicos mirins: Os Três Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho, Sítio do Picapau Amarelo e Alice no País das Maravilhas.

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Com uma equipe bem reduzida, os atores Tamires Faustino e Gabriel Carlos se revezam para viver todos os personagens. Ao todo, serão gravados quarenta espetáculos, que devem sair até abril do ano que vem — independente da previsão de fim da quarentena. Alguns números originais e especiais temáticos estão previstos. O de Natal, por exemplo, já está gravado.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Casa Quarentener: como organizar os sapatos do lado de fora

O acúmulo de calçados do lado de fora dos apartamentos pipocou entre os novos problemas dos condomínios desde o início da quarentena. Quem não buscou um jeito melhor de organizar os pares pois apostava que o cenário seria passageiro está correndo agora atrás de soluções. “É uma nova realidade. Alguns clientes já incorporaram o estilo de vida, pedem projetos com armários virados para dentro do hall do elevador”, conta Karina Alonso, arquiteta e sócia da marca de mobiliário SCS.

Sapateira: móvel saiu do quarto para o hall ou área de serviçoVIVI SPACO/Divulgação

Quando o ambiente é compartilhado com vizinhos, porém, esse arranjo fica mais complicado. “Nesses casos, uma saída é planejar um armário para a área de serviço. É possível entrar por ali, deixar o sapato e pegar um chinelinho para ficar do lado de dentro”, sugere Pati Cillo. “Há pessoas que também têm o ‘casaco da quarentena’, que vai para a rua, e pediram um gancho na entrada para deixá-lo.”

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Na linha discreta, Júlia Guadix preferiu pôr na sua casa um armá rio com gavetão para tênis mais cabideiro para casacos e outros objetos pessoais. “Penso sempre na bolsa, que encosta em vários lugares. Odeio deixá-la solta em qualquer canto do apartamento”, afirma Júlia.

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Não é preciso investir em peças sob medida, porém, para deixar qualquer sujeira do lado de lá do capacho. Na Etna, o início da pandemia coincidiu com a disparada nas vendas de sapateiras de madeira e modelos extensíveis. Alguns itens do gênero comercializados na Mobly também se esgotaram. Seguem disponíveis opções como a retrô azul, por 903,90 reais, ou o modelo empilhável branco, por 164,99 reais.

Versão feita em casa com carretel de madeira: Beto Nóbrega, que compartilhou o passo a passo no Instagram @acasadobetoBeto Nóbrega/Divulgação

Para economizar ou deixar a criatividade fluir, os mais dispostos podem ainda pôr a mão na massa e montar o próprio móvel. Especialista em tutoriais no estilo “faça você mesmo”, Beto Nóbrega tinha feito no ano passado uma sapateira giratória com seis discos e doze pedaços pequenos de madeira, responsáveis por estabelecer a altura das prateleiras. “Na quarentena fiz uma versão com um carretel de madeira, aproveitando o material que eu tinha”, conta o responsável pelo perfil @acasadobeto no Instagram. “Ambas são fáceis, dá para fazer em duas horas ou menos, depende da habilidade manual da pessoa.”

DICAS PARA CASA

> Lugar dos calçados é perto das roupas, certo? não mais. “As pessoas querem todos fora do quarto”, conta a arquiteta Pati Cillo. Ela já desenhou halls de elevador e áreas de serviço com móveis próprios. “Cestos de fibra também funcionam.

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Na Etna: versão branca com estrutura em aço-carbono sai por 299,90 reaisDivulgação/Divulgação

> Na @etnaoficial, as primeiras semanas da quarentena foram de sucesso de vendas de sapateiras. Os modelos mais baratinhos se esgotaram, mas está disponível a versão branca com estrutura em aço-carbono, por 299,90 reais

Móvel com gavetão para calçados e espaço para casacos e bolsas: na casa da arquiteta Júlia GuadixGUILHERME PUCCI/Divulgação

> Na casa da arquiteta Júlia Guadix, da @livn.arq, o móvel azul guarda uma gaveta para sapatos junto com cabide para casacos e prateleiras para bolsa e outros itens
que vão para a rua e não precisam circular em casa. Para o projeto do apartamento de um cliente, com pegada mais industrial, ela optou por um móvel pronto, da @desmobilia. O cabideiro antares, com banco acoplado, sai por 2 200 reais.

 

Da @desmobilia: o cabideiro antares sai por 2 200 reaisGUILHERME PUCCI/Divulgação

> Com alguma habilidade com serra, furadeira e pincel, dá para transformar um carretel de madeira numa sapateira em formato de meia-lua. É o que mostra Beto Nóbrega, que compartilhou o passo a passo da arte no Instagram @acasadobeto.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 16 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Uma experiência de felicidade em família

Carregamos memórias que nasceram antes de nós. Eu nasci em 1984, tataraneta de uma mulher imigrante do Sul da Itália. Minha avó, aos 7 anos, trabalhava em troca de um prato de alimento e lembra até hoje a vontade que sentia de coisas que não podia ter. Hoje, com 83, liga quase todos os dias para uma prima, das poucas que ainda estão vivas, com 92. Elas dão gargalhadas gostosas, de dar vontade de fazer xixi. Compartilham memórias que seus corpos carregam, felizes não pela ausência de dor e dificuldades, mas pelo sentido do que viveram juntas e que as faz família, como se uma soubesse da Alma da outra, ao mesmo tempo em que se surpreendem com as novidades da vida de cada uma.

Quando as vejo, me lembro que há dois importantes caminhos para a construção da felicidade. Por um lado, depende do senso de pertencimento que a família pode oferecer. Do outro, da possibilidade de nos diferenciarmos dela e nos sentirmos livres para sermos nós mesmos. Sermos íntimos e ao mesmo tempo estranhos é a natureza das relações familiares.

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Na intimidade moram as receitas passadas de geração a geração; os trejeitos de um pai que como mágica aparecem em um filho; as dores de uma avó que se reapresentam de maneira diferente em sua neta; os almoços de domingo; as crenças e ideologias; as lutas herdadas dos ancestrais. Legados que recebemos crescendo na morada da família, e que vão deixando em nós um lastro de felicidade, por nos sentirmos pertencentes a uma história coletiva. Por meio da família, a gente vai compreendendo que é parte de um ninho, e que nele encontramos nossos iguais.

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Em contraponto, para nutrir uma experiência de felicidade em família, ser apenas igual não basta. É na família também que precisamos construir nossas asas, a partir do mosaico de informações que formarão nossa identidade e nos tornarão estranhos a quem já nos conhecia antes. Fazemos isso à medida que nos arriscamos em alçar voos na construção da individualidade. Nesse processo, afirmaremos partes de nossa cultura familiar, editaremos e renunciaremos outras. Saber que somos reconhecidos e respeitados justamente por sermos quem somos traz uma felicidade imensurável, alimentada pela sensação de autenticidade e liberdade.

Parte de toda essa jornada será feita pelo empenho da família em si, pelo esforço e investimento de afeto nas relações. Em outra parte, é a sociedade que deve oferecer espaço saudável e digno para que famílias de todos os tipos e cores possam viver seu papel e honrar suas histórias. Qualquer forma de exclusão e violência na família ou contra a família deve ser interditada, pois a coloca como um lugar avesso ao território que constrói memórias de felicidade.

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Minha avó me dá raízes em suas histórias, parece às vezes que eu mesma as vivi. E foi com a segurança de pertencimento a essa ancestralidade que meus pais me amaram e apoiaram para que eu descobrisse minhas asas. Felicidade está em voar longe, mas também em voltar para casa. Que sejamos território de comunhão e também incentivadores da liberdade de cada Ser de nossas famílias.

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Como você tem cultivado as histórias que o fazem parte de sua família? E como tem aberto as asas, com coragem, na busca de quem você é?

Tais Masi: psicóloga e terapeuta familiarArquivo pessoal/Veja SP

Tais Masi (@tais_masi), mãe do Pedro e da Melissa, é psicóloga e terapeuta familiar. É coidealizadora do podcast Diálogos sobre Família e da escola Jardim Muriqui, em São Francisco Xavier

 

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 16 de julho de 2020, edição nº 2695. 

Nostalgia modesta: telas de drive-ins em SP ainda são menores que a média

Popular nos anos 1970, o cinema drive-in é uma das modas retomadas pelo “novo normal”. Mas, perto dos tradicionais drive-ins americanos, as proporções das telas paulistanas podem desanimar: para os 15 por 9,5 metros do Belas Artes Drive-In, por exemplo, clássicos como Bengies Drive-In Theatre (foto), em Maryland, e Boulevard Drive-In, em Kansas City, têm, respectivamente, 36 por 15 metros e 30 por 22 metros. Exibições de trailers e desenhos antigos nos intervalos incrementam a experiência nostálgica em algumas unidades, outro diferencial que não chegou à cidade. Segundo o Belas Artes, apenas um quarto do espaço é ocupado pelos carros e nenhum cliente reclamou da estrutura até agora.

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Publicado em VEJA SÃO PAULO de 15 de julho de 2020, edição nº 2695.