Dueto improvável: ex-líder de boy band e roqueiro das antigas

De um lado, um ex-líder de uma boy band açucarada. De outro, o vocalista de uma raivosa banda de rock dos anos 80. Afonso Nigro, cantor à frente do antigo Dominó, e Philippe Seabra, da Plebe Rude, gravaram há cinco anos a atualíssima música Tô P da Vida (Olhando a gente tão pra baixo / Num baixo-astral, num cambalacho / E muito pouco amor à vida). Só agora, em meio à pandemia, decidiram lançar o dueto. “Não tem timing melhor diante do que estamos vivendo”, diz Nigro. Embora seja conhecido pelo pop romântico, ele sempre amou grupos de heavy metal e teve uma banda com o guitarrista Kiko Loureiro, ex-Angra e atual Megadeth. Nigro teve 48 shows cancelados por causa da pandemia. “Tenho feito lives e organizado um documentário. Se pensar no dinheiro que perdi, terei um infarto.”

Publicado em VEJA de 8 de julho de 2020, edição nº 2694

Herdeiros da Companhia Melhoramentos dão festa durante a pandemia

Herdeiros da Companhia Melhoramentos, conglomerado que envolve negócios como papel e celulose, incorporação e construção civil, os irmãos Mario e Paulo Velloso (à dir.) atuam no ramo da música como DJs. Na semana passada, cansados das restrições da quarentena, mandaram às favas as regras de distanciamento e deram uma festa de arromba na mansão de um deles, em São Paulo. O nome da comemoração: “festa junina — bico calado”. Os mais de 100 convidados, boa parte composta de multimilionários como eles, foram orientados a não postar nada, para evitar críticas. Mas não deu para manter segredo. Houve aglomeração de carros e pessoas entrando e saindo madrugada adentro. Nenhum convidado usou máscara. No sábado 27, dia da festa, o Brasil somava 57 103 mortes por coronavírus.

Em tempo: após a publicação desta nota, a assessoria de imprensa da Melhoramentos enviou o seguinte comunicado: Acerca de notícias, recentemente veiculadas, que associam a Companhia Melhoramentos de São Paulo à organização de evento social realizado durante a atual pandemia de COVID-19, esclarecemos que a Melhoramentos não possui qualquer relação com a organização do evento. A Companhia é sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na B3 por centenas de investidores, gestão totalmente profissionalizada e um Conselho de Administração de natureza independente. Os organizadores do dito evento não são herdeiros ou acionistas da Companhia, nem participam de sua gestão. São filhos de uma das acionistas da empresa.

São filhos de uma das acionistas da empresa. Fundada há 130 anos, a Melhoramentos se orgulha de ter entre seus principais pilares o respeito à vida e à dignidade humana. Nesta pandemia, estamos tomando todos os cuidados para garantir a segurança e a saúde de nossos colaboradores diretos e indiretos, confiantes de que a ciência, o bom senso e o cuidado com a vida humana nos levarão a superar este difícil momento da vida brasileira da melhor e mais rápida forma possível.

Leia nesta edição: a pacificação do Executivo nas relações com o Congresso e ao Supremo, os diferentes números da Covid-19 nos estados brasileiros e novas revelações sobre o caso QueirozVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 8 de julho de 2020, edição nº 2694

Sara Winter pede dinheiro em blogs e grupos de WhatsApp

Depois de ter ficado presa por dez dias em caráter temporário, a ativista de extrema direita Sara Winter quer dinheiro. Ela pediu aos seus amigos e apoiadores que divulguem sua conta bancária em blogs e grupos de WhatsApp. Sara argumenta que o inquérito das fake news e o dos ataques às instituições democráticas têm como objetivo minar a renda dos canais de direita, e que sem trabalho e com a restrição de circulação está passando dificuldades financeiras. Para o grupo de Sara Winter, a estratégia do Supremo Tribunal Federal seria a “criminalização da monetização de blogs e canais do YouTube”.

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

A ativista está em sua residência, em Brasília, de tornozeleira eletrônica. Ela não pode encontrar nenhum outros investigados dos inquéritos nem chegar perto das cercanias do STF.

Em meio à Covid-19, mercado de luxo no Brasil se vira com o WhatsApp

A pandemia tem causado uma reviravolta na forma de vender roupas no mercado de luxo. No Brasil, desde os tempos áureos da Daslu, vendedoras de grifes internacionais levavam malas com os lançamentos para as casas de clientes VIPs, além de fazer as vendas dentro da própria loja. Agora a orientação é seduzir a clientela pelo WhatsApp. “A vendedora virou a loja em si”, contou uma gerente de uma grife francesa. As vendedoras estão recebendo comissões maiores, em alguns casos chegando a 8% do valor da compra efetuada (antes, variava entre 3% e 5%). Elas fotografam item por item e mandam para potenciais compradoras, que não querem mais ver muitas peças tocadas por outras pessoas.

O trabalho tem sido árduo. No caso do mercado de São Paulo, as pessoas muito ricas estão fora da cidade, em suas casas de campo em condomínios como Boa Vista, Haras Larissa e Quinta da Baroneza. “Quase não tem para quem vender, então pedimos indicação de amigos e amigos de amigos”, diz a vendedora de uma marca italiana. Antes da pandemia, uma vendedora da Hermès chegava a comercializar 1,2 milhão de reais por mês em bolsas e vestuário. A média mensal de venda despencou 80%. Se não fosse o whatsapp, a queda seria ainda mais acentuada. Com o mês de julho, há expectativa de incremento da venda por três motivos: flexibilização de horários abertos do comércio, pessoas perdendo o medo da Covid-19 (e, portanto, organizando festas e jantares) e baixa frequência de gente viajando para o exterior.

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Com grifes gigantes sofrendo com o momento, as menores têm se sobressaído e conquistado espaço no mercado. Helena Bordon lançou uma coleção de moletom que esgotou minutos após anunciar as peças em seu perfil do Instagram. As peças tie-dye — verdadeira febre durante a pandemia — da Elisa Zarzur venderam feito pão quente. Carol Bassi, cuja fama é de vender tudo o que indica, é outro exemplo de sucesso estrondoso mesmo diante da crise.

Para impulsionar suas vendas e criar novas estratégias, o empresário Alexandre Birman, CEO do Grupo Arezzo, passou a fazer todos os dias uma live às 6h26, com meia-hora de duração. A transmissão é fechada apenas aos funcionários do conglomerado e tem tido uma adesão enorme. Objetivo: discutir como conquistar e se mostrar presente aos clientes.

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Por outro lado, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, há inúmeras placas de “aluga-se” e “vende-se” em butiques que não resistiram à pandemia.

O Copacabana Palace vai reabrir após três meses de portas fechadas

Hotel mais famoso e icônico do Brasil, o carioca Copacabana Palace trabalha com a data de 20 de agosto para a sua reabertura após interromper as atividades em decorrência do coronavírus. Diretores do hotel discutem neste momento os novos protocolos de segurança a serem adotados. Ainda não foi batido o martelo se os hóspedes poderão usar a piscina, onde Lady Di deu braçadas em sua visita ao Rio de Janeiro em 1991.

Mesmo neste período fechado a equipe do Copa está bastante entusiasmada com a corrida de casais agendando casamento para 2021. Há meses já com todos os finais de semana reservados, alguns com dois eventos programados para o mesmo dia. Neste ano, logo no começo da pandemia, festas memoráveis previstas para ocupar o hotel tiveram de ser desmarcadas, a exemplo do casamento de Alexandre Birman, CEO do Grupo Arezzo, e a empresária Gabriela Verdeja. A comemoração teria 800 convidados vindos dos quatro cantos do mundo.

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O que a saída de Renato Aragão representa para a Globo

Fim de uma era. Existia a máxima dentro da Globo que, mesmo com a política de reduzir ao máximo o elenco fixo, alguns nomes da casa eram “intocáveis”. Essa percepção acabou nesta terça, 30, com a não renovação do contrato de Renato Aragão, como revelou o colunista Maurício Stycer, do UOL. Aragão foi uma das mais importantes estrelas do canal por 44 anos. Sua dispensa é um sinal claro: ninguém está imune aos cortes. O significado da saída de Aragão não tem precedentes e vai muito além do ocorrido com Vera Fischer, Miguel Falabella e Zeca Camargo.

Poucos artistas deram tanto lucro e prestígio à família Marinho. Se Aragão foi cortado, por que outros não podem ser? À frente do humorístico Os Trapalhões com o personagem Didi Mocó, o artista estreou na Globo em 1977. Para além de programas na TV, Os Trapalhões representam até hoje alguns dos maiores sucessos de bilheteria da Globo Filmes.

Alguns longas da trupe constam no olimpo das maiores bilheterias do cinema nacional, com mais de 5 milhões de ingressos vendidos cada — caso de Os Saltimbancos Trapalhões, O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, Os Trapalhões nas Guerras dos Planetas, Os Trapalhões na Serra Pelada e O Cinderelo Trapalhão. 

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Renato Aragão foi por muitos anos o rosto da maior ação filantrópica da Globo, o Criança Esperança. O rosto do humorista era parte do marketing positivo do canal. “Cortar o Renato Aragão representa cortar da carne: a Globo sinaliza não ter tolerância com gastos não essenciais”, diz um diretor.

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Dentro do grupo dos intocáveis que nesta semana acaba de ruir constavam atores e vozes cujos rostos e vozes são parte do patrimônio da Globo, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Antonio Fagundes, Gloria Pires, Tony Ramos, Susana Vieira, Lilia Cabral, Vera Holtz e Natália do Vale. Quem não estiver no ar pode ter seu contrato mudado de longo prazo para “por obra”, não importante o passado e glória no canal.

Aos 85 anos, Renato Aragão vai se dedicar às suas redes sociais, sobretudo aos hilários vídeos que tem postado no Tiktok.

Pandemia vip: a fila de Porsches em restaurante badalado em São Paulo

No fim de semana, o badalado chef e empresário Rodolfo de Santis postou em suas redes sociais que iria abrir três novos negócios. Foi massacrado e acusado de insensibilidade pelo fato de a economia como um todo, e em especial o setor de gastronomia, estar passando por um colapso sem precedentes causado pela pandemia. Além disso, muitas pessoas denunciaram que o Nico Cucina, um dos restaurantes italianos mais estrelados de São Paulo e carro-chefe de seu grupo, estaria operando às escondidas. Ele nega. O Nino Cucina é frequentado pela alta sociedade e celebridades, de Lala Rudge a Luciana Gimenez. A fila de espera por uma mesa chegava a durar três horas no mundo pré-coronavírus. Na entrevista a seguir, o chef diz que tudo não passou de um tremendo mal-entendido:

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

O senhor tem aberto durante a pandemia? Somos uma empresa grande e sólida, com 330 funcionários. Não demiti nenhuma pessoa sequer, seja da cozinha ou da faxina. Na verdade, o Nino tem trabalhado com o esquema de delivery e retirada. Graças a Deus, o negócio está indo muito bem e tem me deixado feliz. Tenho muitos clientes que têm Porsches, Ferraris… Só no domingo (dia 28), havia três Porsches na porta do Nino. Muitos clientes têm esses carros, o que chama a atenção. Eles abraçam nosso gerente, conversam na calçada ou dentro do carro enquanto aguardam a comida ficar pronta. Por ter gente na porta, pensam que estamos abertos.

Há quem diga que o senhor serviu bebidas e petiscos enquanto as pessoas aguardam. Não é verdade. O nosso delivery supre 20% do faturamento da empresa. Antes da pandemia, nossa receita era de 1,5 milhão de reais por mês. Acho injusto esses comentários. Vamos contratar pessoas com as novas casas, que serão abertas quando for permitido, daí vem essa maldade de me atacar. Se causo inveja em pessoas do mercado, a minha resposta será trabalhar.

Cauã Reymond em prol de arrecadar 100 000 reais para a Casa 1

Solidariedade e ativismo no mês do orgulho LGBTQIA+. Juliano Corbetta, ativista e publicitário que chacoalha o mercado de moda com a Madre in Brasil e Samba, criou o projeto Prints For Pride com imagens deslumbrantes do acervo de suas publicações para vender impressões em papel e em peças de roupa como blusas e camisetas. “100% do valor arrecadado será doado para a Casa 1”, diz ele. A entidade abriga população expulsa de casa — além de dar comida, estudo e capacitação profissional para população gay e trans. “Se conseguirmos bater minha meta de 100 000 reais em vendas, o valor adicional será repassado a mais organizações LGBTQIA+ no Brasil.”

Cauã para a Made in Brasil: foto do ator faz parte do projeto Prints for Pride, em prol da Casa 1Doug Inglish/VEJA

Há fotos estonteantes de Cauã Reymond, Jhona Burjack, Pietro Baltazar e Mateus Carrilho. As vendas vão até o começo de julho e são enviadas para todo no Brasil.

O diretor que perdeu o emprego na Band por exagerar no bolsonarismo

Não foi a única confusão na carreira de Vildomar Batista a saída tumultuada da Band, onde era diretor do matinal Aqui na Band. O diretor de TV saiu brigado com a Record, emissora por onde esteve por mais de dez anos e desfrutou de muito poder, tendo comandado o Hoje em Dia e o Programa do Gugu. Em 2016, ao deixar a emissora de Edir Macedo, Vildomar entrou com uma ação trabalhista no 62ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ele pedia 300.000 reais argumentando trabalhos sobrepostos, entre outras razões.

A Record, por sua vez, alegou litigância de má-fé pelo fato de Vildomar ter solicitado os benefícios da justiça gratuita. Em agosto de 2019, as duas partes chegaram a um acordo sem valor envolvido. O processo ao qual VEJA teve acesso mostra que a remuneração mensal de Vildomar na Record era de 70.000 reais fixos, além de prêmio pelo aumento da audiência dos programas que dirigia e bônus pelas ações de merchandising. Nas notas anexadas ao processo, consta que o diretor recebeu 112.150,52 reais em julho de 2014 e 90.000 reais em agosto do mesmo ano.

Na Band, Vildomar Batista perdeu apoio e prestígio por levar ao ar pautas alinhadas ao ideólogo de bolsonaristas. Nesta semana, antes de perder a direção do programa, ele escalou o blogueiro Allan dos Santos, investigado por propagar fake news, para defender seu ponto de vista. Em outra ocasião, discutiu-se no ar “Quem mandou matar Bolsonaro?”. Apresentado por Luís Ernesto Lacombe, também afastado e de saída do canal, o Aqui na Band repercutia no Twitter — mas dava quase nada de audiência. Em alguns casos, menos de 1 ponto.

Pelas redes sociais, Vildomar Batista se manifestou sobre o fim do projeto Aqui na Band: “O Aqui na Band foi como um filho: desejado, esperado, amado. Sonhei anos com este projeto e pensei em cada detalhe: o nome, as redes sociais, o formato, conteúdo, pacote gráfico, trilhas, cenários, equipe. Agora faz parte do passado, mas como um filho que se ‘perde’ ou que ‘morre’, nunca poderá ser esquecido”.

João Paulo Gadêlha: o bombeiro que virou influenciador antibolsonaro

Ex-tenente do Exército e atual bombeiro militar de Salvador, João Paulo Gadêlha virou a principal estrela do reality show The Circle, da Netflix. Mas não são apenas seus olhos azuis e músculos que chamam atenção. Jotapê, como é conhecido, tem feito duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro, que julga raivoso com as instituições democráticas e performático nas redes sociais. Se ele tem apoio dos colegas? “Sim, há um respeito às ideias diferentes. Meus companheiros não são machistas e homofóbicos”, diz. Gadêlha tem 31 anos de idade, quase 1 milhão de seguidores no Instagram e nenhuma namorada. Ele ganha mais dinheiro hoje trabalhando como modelo do que no quartel, mas não cogita largar a carreira militar. “Ser bombeiro é uma honra e um orgulho na minha vida.”

Leia nesta edição: entrevista exclusiva com o advogado que escondeu Fabrício Queiroz, a estabilização no número de mortes por Covid-19 no Brasil e os novos caminhos para a educaçãoVEJA/VEJA

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693