Os atritos entre Gilmar e Pazuello e os novos rumos do MEC

A revista VEJA desta semana traz em sua capa como a pandemia ampliou a crise da desigualdade no Brasil e no mundo e como é o momento de tomar medidas que acabem de vez com a visão de que esse mal não tem cura. Outro destaque são os atritos entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes com o governo federal, o Exército e o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, ao dizer que os militares estavam se associando a um “genocídio” na pandemia de coronavírus.

Dora Kramer diz que a entrevista chama a atenção pela conclusão de Pazuello de que o Brasil será reconhecido como um ponta de lança da administração correta da crise sanitária. Para a colunista, seria algo surpreendente, já que o país é citado como um exemplo ruim pelo mundo. Dora afirma ainda que o general se contradiz em vários trechos da entrevista.

Ricardo Noblat diz que não se pode nem culpar Pazuello pela gestão na Saúde, já que ele foi colocado no cargo como interino mesmo sendo apenas um especialista em logística. E nem na sua especialidade foi bem sucedido, já que não conseguiu distribuir os equipamentos e remédios que o governo prometeu distribuir.

Augusto Nunes avalia que Gilmar Mendes precisa deixar de ser arrogante e tentar opinar sobre tudo. Para o colunista, o ministro não é médico para dar pitacos nas políticas do ministério da Saúde. Nunes diz que Gilmar é esclarecido o suficiente para entender o conceito de genocídio e como isso não se encaixa no caso brasileiro.

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Os colunistas também falam sobre a posse de Milton Ribeiro no Ministério da Educação e os problemas envolvendo políticos do PSDB com a Operação Lava Jato.

Somos todos “sapiens”, finitos e às vezes obesos

É aceito que o ancestral comum do qual derivaram os iniciadores da linhagem humana e de nossos primos, os chimpanzés, existiu há aproximadamente 8 milhões de anos no continente africano, enquanto nosso gênero tenha principiado nos mesmos territórios pelo Homo habilis, no entorno temporal de 2 milhões de anos atrás.

O Homo habilis tinha em média 1 metro de altura, habilidade em manipular instrumentos cortantes e isso supostamente lhe possibilitou a adoção de dieta carnívora, inovação que concedeu um aumento de 30 % no volume de seu cérebro em relação ao seu ancestral imediato.

Com 1,5 metro, o Homo erectus é um dos congêneres que ilustram a fase evolucional seguinte, se notabilizando por ser essencialmente terrestre e pela descoberta do fogo, conhecimento que lhe proporcionou sobrevivência em ambientes mais frios, assim como viabilizou cozinhar alimentos, com facilitação ao consumo de carnes e outros alimentos, até então de difícil mastigação. As virtudes lhe renderam aumento de 50 % no volume cerebral, assim como notória diminuição no tamanho dos dentes e intestinos.

O Homo erectus reuniu os predicados que permitiriam a emigração do continente africano para Ásia e Europa, sendo aceitas algumas teorias para sua distribuição planetária a partir de seu berço natal.

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O Homo Sapiens pode ter surgido há aproximadamente 350 mil anos, com aumento volumétrico cerebral de 40% quando comparado ao Homo erectus e alcançou altura média de 1,7 metro. Porém, em seu comportamento moderno, provavelmente nossa espécie possua por volta de 50 mil anos, então Homo sapiens sapiens, quando buscou melhor relacionamento com a natureza utilizando seu melhor predicado, o pensamento.

Aproximadamente há 10 mil anos nossos antepassados iniciaram o domínio de técnicas de agricultura e a domesticação de animais, enquanto pouco mais de dois séculos nos separam do início da Revolução Industrial. Esses dois processos transformadores são compreendidos como os mais importantes de toda a existência de nossa subespécie, os quais propiciaram substancial provimento alimentar, recurso limitante para nossa ampliação populacional.

A progressiva e crescente capacidade de nossos ancestrais em consumir maior quantidade de alimentos em menor tempo, especialmente carnes, permitiu a evolução e a consolidação de nossa espécie. Paradoxalmente, nos dias de hoje deflagramos uma verdadeira batalha para conter o consumo calórico humano, pois, patamares muito elevados se relacionam com a obesidade. Mas, se claramente nossos ancestrais aumentaram a ingesta energética na proporção que modificavam o alimento, agora o fazemos associando produtos sintéticos.

De um mirante que contemple o comportamento alimentar humano, longevidade e sanidade mental, vê-se como único óbvio roteiro para desenlaces favoráveis a subtração de carboidratos refinados, gorduras sem qualidade e alimentos processados. Quando o observatório considera a atividade física, exclui-se apenas os anabolizantes e práticas de extrema exaustão para que os exercícios frequentes entreguem extraordinários desfechos.

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Neste universo previamente abordado é atitude de grande equívoco derivar para raça humana os estudos com camundongos que apontam maior longevidade e emagrecimento a partir da restrição calórica. A extrapolação desconsidera condições existenciais humanas, tais como a satisfação e o conforto emotivo perante a saciedade, fatores motivacionais amplificadores da capacidade criativa e modulação afetiva pelo componente hedônico alimentar. Portanto, neste caso viver mais será sucesso apenas relativo.

Em estudo publicado em 2012 na revista New England Journal of Medicine, o cardiologista Franz Messerli demonstrou que o consumo per capita chocolate (kg/habitantes) de um país, é diretamente proporcional ao número de gênios premiados com o Prêmio Nobel.

Galileu Galilei, gourmet resoluto e apreciador de pratos extremamente calóricos, morreu em 1642, aos 78 anos, enquanto Einstein, outro gênio das ciências exatas, compulsivo consumidor de espaguete, morreria em 1955, aos 76. Embora Einstein gostasse de caminhadas, assim como o Renascimento não facilitava a “prática” do sedentarismo em sua plenitude, nenhum dos dois foi referência atlética.

O consumo etílico de Sir Winston Churchill esteve bastante distante do consumo moderado de vinhos alinhado à dieta mediterrânica, único conceito alimentar relacionado com menor morbimortalidade por todas as causas. O maior estadista do século XX também abusava da maior parte dos alimentos que condenamos sistematicamente, embora os processados não tenham lhe alcançado. Aos 89 anos, um ano antes de sua morte, em uma coletiva de imprensa Churchill foi questionado acerca de suas extravagâncias não lhe resultarem abreviação da vida ou arrebatamento de sua disposição, o leão disse que responderia com duas palavrinhas, e o fez: “no sports”.

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Nenhum homo sapiens sapiens será um grande estadista por não fazer exercícios, comer demais e ingerir toneladas de bebidas alcoólicas. Nem tão pouco se transformará em gênio da física ou matemática por devorar espaguetes ou gansos recheados com polentas enriquecidas por vários queijos. Verdade também que abocanhar quilos de chocolates diariamente não o fará elegível para a conquista do Prêmio Nobel.

Por outro lado, é possível afirmar que evolutivamente fomos nos tornando o que comemos e preferenciando o que nos faz melhor, criamos desejos pelo que nos conforta e nos permite a sobrevivência, enquanto o cérebro é estimulado ao raciocínio para manter esse ciclo virtuoso. Estabelecer limites na ingestão calórica de Einstein, Galileu Galilei, Churchill, chocólatras e a todos “sapiens” geniais ou não, fosse factível, seguramente não lhes confortariam as existências e todos entregariam menos para a humanidade.

Nossa espécie evoluiu domando os alimentos em suas essências, mas ao modificá-los com processamentos e substâncias sintéticas criou um hiato para regressão orgânica que precisa ser corrigido. Contudo, está bastante claro, que nossa evolução antropológica, aumento da longevidade ou média de sobrevida, não ocorrerão por restrição sumária da ingesta calórica, mais do que não ser possível, não tem lógica.

<span class=”hidden”>–</span>Ricardo Matsukawa/VEJA.com

 

Quase 2000 pessoas pedem indenização à Volkswagen por ‘Dieselgate’

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Trabalhador (ABRADECONT) contabilizou quase 2000 habilitações de proprietários da caminhonete Amarok, na Ação Civil Pública movida contra a Volkswagen, escândalo conhecido como Dieselgate.

Em 2019, a montadora foi obrigada a pagar cerca de 17.000 reais de danos morais (com juros e correções) a cada um dos proprietários. As indenizações foam motivadas apos a descoberta de que os carros vinham com um software que manipulava o resultado de testes de emissões de poluentes. 

A habilitação, feita no site desde o final do ano passado, é para que donos dos veículos recebam as indenizações. “A habilitação é feita exclusivamente pelo site da Associação e é através dela que será feito o recebimento de danos morais e materiais”, afirma Leonardo Amarante, advogado que representa a entidade.

‘Cursed’ é Rei Arthur “teen”, mas há adaptações para todos os gostos

Há algo de fascinante na imagem de uma espada invencível emergindo das águas em mãos femininas tão delicadas quanto misteriosas. A cena descrita povoa o imaginário popular britânico há mais tempo que os próprios escritos, mas seu primeiro registro remonta ao século XII, quando os autores Geoffrey Monmouth e Chrètien de Troyes colocaram no papel as peripécias lendárias do Rei Arthur, uma simbiose duradoura entre fatos históricos e mitologia céltica. Um século depois, coube ao poeta Robert de Boron recriar o mito arturiano atando Excalibur, a espada invencível, a uma pedra, de onde apenas o rei predestinado poderia retirá-la.

Leia nesta edição: Como a pandemia ampliou o abismo entre ricos e pobres no Brasil. E mais: entrevista exclusiva com Pazuello, ministro interino da SaúdeVEJA/VEJA

De lá para cá, a história tornou-se uma das mais reproduzidas de todos os tempos, e não faltam filmes, séries ou livros sobre as aventuras de Arthur, Merlin e os Cavaleiros da Távola Redonda. Em Cursed, série que chega à Netflix nesta sexta-feira, 17, o braço no lago ganha rosto e assume o protagonismo da narrativa, adaptada da graphic novel homônima de Frank Miller e Thomas Wheeler. Katharine Langford, que despontou como estrela adolescente na pele de Hannah Baker em 13 Reasons Why, dá vida a Nimue, a dama do lago. Também conhecida como Viviane em algumas versões a história, a personagem é a mais importante sacerdotisa de Avalon – a ilha sagrada onde Arthur supostamente repousa após a “morte”. Mas é quase sempre resumida a uma mão sem rosto nas adaptações visuais da lenda. (confira entrevista com o criador da série, Tom Wheeler, e o ator Devon Terrer ao final desta reportagem)

Partindo da premissa de retratar a história desconhecida de Nimue, Cursed é mais uma versão repaginada, e com muita licença poética, da lenda medieval para o século XXI. Aqui, a dama do lago é uma jovem sem controle sobre os poderes, Arthur é um aspirante a cavaleiro de moral questionável e Merlin, um feiticeiro decadente. É provável que os admiradores da história clássica torçam o nariz para os romances adolescentes e o clima fantasioso que permeia a história, mas, para geração pautada pela diversidade, a produção acerta ao colocar as mulheres em foco e dar espaço a um Rei Arthur negro. 

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A adaptação, porém, está longe de ser a primeira a fugir da história tradicional. Mesmo nos livros não faltam reinvenções – As Brumas de Avalon, de Zimmer Bradley, é uma das mais bem-sucedidas sagas modernas do universo arturiano, e também debruça-se sobre as mulheres na vida do rei. Em 2001, a história foi adaptada para o cinema por Uli Edel, mas o longa não é dos mais fiéis. Já nos anos 1960, as crianças deliciaram-se com o clássico A Espada era Lei, animação da Disney em que Arthur é apenas um garotinho órfão que descobre estar destinado à poderosa Excalibur e empenha-se em uma viagem repleta de aventuras e muita mágica. Anos depois, em 1998, a Warner também apostou no universo infantil com A Espada Mágica: a Lenda de Camelot, em que Kayley, filha de Sir Lionel da Távola Redonda, une-se a um jovem cego e a um bonzinho e atrapalhado dragão de duas cabeças na busca pela espada perdida para salvar Arthur e seu reino. 

Para os amantes de boas risadas, Monty Python: em Busca do Cálice Sagrado é um verdadeiro deleite. Criado pelos ingleses do grupo de comédia Monty Python, o filme usa a busca do Santo Graal como pano de fundo para uma sátira divertida da sociedade inglesa. Em 1975, seu ano de estreia, arrecadou mais que qualquer outro filme britânico nos Estados Unidos, e foi considerado uma das melhores comédias de todos os tempos pelo canal americano ABC. Seis anos depois, John Boorman arrecadou cerca de 100 milhões de dólares em valores atualizados com o sombrio Excalibur. O longa consagrou atores como Patrick Stewart, Helen Mirren e Nigel Terry e, embora as cenas sangrentas das batalhas de Arthur contra o filho Mordred não escapem da cenografia trash para os padrões atuais, há de se levar em conta os limites tecnológicos dos anos 1980.

Já nas últimas décadas, a história ganhou contornos menos místicos. Em 2004, o diretor Antoine Fuqua, famoso por Lágrimas do Sol e Dia de Treinamento, transformou a história em uma trama de ação e aventura que dividiu opiniões. Mais recentemente, em 2017, Guy Ritchie (sim, o de Sherlock Holmes) transformou Charlie Hunnam em uma versão relutante e gangster do lendário monarca em Rei Arthur: A Lenda da Espada, que também não agradou as todos. Fora dos cinemas, a série Merlin, da BBC, teve mais sucesso ao dissecar as lendas por cinco temporadas através da perspectiva do mago – a produção, que encerrou sua exibição em 2012, teve uma média de audiência de 6 milhões de espectadores por episódio na Inglaterra.

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A narrativa de Arthur é uma montanha russa que começa em uma aventura mística medieval, embrenha-se por um enredo político de disputas de poder e assassinatos e mergulha em um misticismo quase religioso que une a busca de um cálice sagrado cheio de referências cristãs a ilhas pagãs lideradas por que cultuam a Deusa e a natureza. Talvez por isso, suas versões mais aclamadas fragmentem a história, como Merlin, ou não se levem tão a sério, como em Monty Python, extraindo o melhor da narrativa. Críticas à parte, Cursed confirma mais uma vez a versatilidade do universo arturiano, que se reinventa há séculos e encanta diferentes públicos – no fim, há Rei Arthur para todos os gostos.

Confira a entrevista com o criador da série, Tom Wheeler, e o ator Devon Terrer:

O que faz a história do Rei Arthur manter-se tão bem sucedida durante tantos anos?
Tom: Eu acho que os personagens são incríveis. Merlin é o primeiro feiticeiro que nós conhecemos. Ele é uma espécie de origem de todo uma árvore mágica em que a gente tem Gandalf, Dumbledore e vários outros. A relação do Arthur com a Espada tem paralelos em jornadas  místicas como Star Wars. Os personagens são muito fortes e transmitem uma imagem importante. De alguma forma, alguém liderando um mundo sombrio para a luz, tornando um universo bárbaros em civilizado, é algo que estamos sempre buscando porque une as pessoas. Particularmente agora, é uma ideia muito forte. E o melhor da história é que ela muda com o tempo, e se adapta ao momento. Você passa por versões me que há mais religião, ou romance e de repente muda porque é uma história viva.

Por que vocês escolheram dar a Nimue no protagonismo?
Tom: Por dois motivos. O primeiro é que quando eu e Frank Miller estávamos falando sobre fazer algo no universo do Rei Arthur, eu fiquei encantado com essa imagem de um braço feminino saindo da água e entregando a espada para o Arthur. É romantico, mágico e trágico e levanta muitas questões. Quem é ela? Por que Arthur? Qual é a relação dela com a espada? Sempre vemos a história através de Arthur ou Merlin, por que não explorar Nimue? O outro motivo é que eu cresci com esses personagens, e sempre fingi que era Arthur, Lancelot ou Merlin nas brincadeiras. QUando começamos a trabalhar na ideia, percebi que não sabia com quem a minha filha se identificava. Quais era os personagens que a representavam.

Arthur ainda não é um Rei durante a temporada. Ele é um homem comum tentando ganhar a vida. Como é dar vida a ele sabendo que é um futuro rei?
Devon: É ótimo porque os melhores personagens são aqueles que são falhos. Se ele fosse puro desde o princípio, ia ser entediante. Mas há um passado e ele é atormentado por ele. Há a relação com a família, os erros do passado. E a partir do momento em que ele se torna rei, ele é alguém que sabe perdoar. Ele entende as falhas humanas e as dificuldades. Ele toma decisões erradas para sobreviver, mas é o que ele precisava fazer no momento. Nimue é uma forma de redenção para tornar-se uma melhor pessoa e um ótimo rei. Mas ele não sabe disso, ele está apenas tentando sobreviver. E na idade média, todo mundo estava tentando sobreviver o tempo todo.

Além de uma mulher assumir o protagonismo, Arthur é negro em Cursed. Qual é importância disso para a série?
Devon: É animador porque é um mundo de fantasias. Eu sempre gostei de Senhor dos Anéis e Harry Potter, mas nunca me vi nas telas. Isso muda a narrativa. Ser parte da história é incrível e eu só quero fazer isso o mais autêntico possível. Ele é um jovem mercenário tentando encontrar o seu caminho. Eu nunca tentei dar vida ao rei, porque eu não acredito que você possa interpretar um rei em si, mas a verdade por trás dele. Eu estou animado para que todas as pessoas olhem para o mundo e vejam suas histórias acontecendo. Deveria ter acontecido há muito tempo. Se começamos a ver isso nas telas, nós começamos a falar sobre isso e é disso o que precisamos. Por que um personagem místico precisa ser branco? Eu nunca me vi em Harry Potter, mas eu olho para Star Wars e agora há rostos parecidos com o meu. É ótimo fazer parte desse progresso.

Em Cursed, os cavaleiros Paladinos Vermelhos perseguem minorias. Há algum paralelo com as discussões atuais?
Tom: Sem dúvida. É impossível não ser influenciado pelo o que está acontecendo no mundo quando você está escrevendo algo. Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis durante a I Guerra Mundial e isso definitivamente impactou na história. A ideia do desprezo às pessoas. Seres humanos sendo expulsos de suas casas e como eles são culpados por tudo, se tornam alvos de preconceito tem paralelos com os refugiados, mas com muitas outras coisas. É importante que o mundo seja retratado de maneira diversa e inclusiva. A gente não costuma ver isso em histórias de fantasia, mas era importante para nós e acho que é importante para as pessoas se verem retratadas na história.

Dois hospitais de campanha são fechados temporariamente no Rio

Quatro meses após o Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciar a criação de sete hospitais de campanha para atender os pacientes com Covid-19, a gestão de Wilson Witzel (PSC) decidiu interromper as atividades das únicas duas unidades que foram abertas. Nesta sexta, 17, a secretaria estadual de Saúde encerrou as atividades do Maracanã, na Zona Norte, e de São Gonçalo, na Região Metropolitana da capital fluminense. A medida foi tomada após o término do contrato com a Organização Social Iabas, que na última terça, 14, informou à pasta que não prestaria mais os serviços.

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde está no centro da crise da saúde do Rio e foi um dos alvos da Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Federal no dia 26 de maio deste ano, por suspeita de fraudes nos contratos. Além disso, o ex-secretário Edmar Santos e dois subsecretários foram presos por suspeita de desvio de verbas. Desde o início da pandemia do novo coronavírus três operações investigaram fraude nos recursos para compra de equipamentos e montagem de instalações.

Ao todo, 26 pacientes do Maracanã, sendo 16 de UTI e 10 de enfermagem, foram encaminhados para o Hospital Universitário Pedro Ernesto, Hospital Municipal Ronaldo Gazolla e Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. Já os 8 pacientes de São Gonçalo, sendo 7 de UTI e de 1 de enfermaria, foram para o Instituto Estadual do Tórax Ary Parreira e Hospital Municipal Luiz Palmier.

Procurada, a secretaria de Saúde informou que a transferência foi feita de forma preventiva para preservar a saúde e dar continuidade aos tratamentos dos pacientes. “A SES finaliza comunicando que os hospitais não serão fechados neste momento e que a Fundação Saúde irá ceder profissionais para atuarem nos hospitais de campanha”, encerra o trecho.